sexta-feira, 4 de março de 2011

Expansão das cidades e rodovias degradam o meio ambiente


            Quando se fala em degradação ambiental, pensa-se logo em esgotos a céu aberto, lixões ou em madeireiras e mineradoras que destroem o meio ambiente.
            Poucos são os que avaliam que a construção de estradas e rodovias e, até mesmo, o crescimento de cidades, também podem prejudicar o ecossistema. Isso porque, para a abertura de rodovias e para a expansão de uma cidade, são devastadas áreas enormes de florestas e se interfere diretamente no habitat das espécies que vivem na região.
            Na região da caatinga, as atividades econômicas desenvolvidas são as principais responsáveis pelos distúrbios causados ao ecossistema e por isso devem ser bem planejadas, visando ao desenvolvimento sustentável.
            Como explicam pesquisadores da UFPE - Universidade Federal de Pernambuco, em artigo publicado na revista Brazilian Journal of Biology, `estradas e cidades representam enormes fontes de degradação dos ecossistemas adjacentes no que se refere à ciclagem de nutrientes, energia, fluxo de água e à composição de espécies`.
            Além disso, eles afirmam que os animais podem ser afetados pelas rodovias no que diz respeito à migração, meio de sobrevivência e isolamento populacional.
            Dessa forma, eles procuraram descobrir de que maneira a distância de cidades e rodovias está associada à perda e à fragmentação da caatinga, um tipo de vegetação seca e composta por pequenos arbustos, que é característica do Nordeste brasileiro.
            De acordo com o artigo, foram mapeados 145 km de estradas pavimentadas, bem como a vegetação remanescente e as sete cidades centrais.
            Os resultados mostram, segundo o texto, que a vegetação da caatinga está reduzida a 13% da sua cobertura original. Além disso, constatou-se que há uma correlação positiva entre a distância de rodovias e cidades e o percentual de vegetação remanescente. Ou seja, quanto mais próximo se está das cidades e estradas, menos vegetação se consegue encontrar.
            Por isso, é de fundamental importância que haja estudos mais aprofundados dos efeito ecológicos que a construção de vias pavimentadas e o crescimento de áreas urbanas podem causar no ecossistema de uma região. Também devem ser identificadas e estabelecidas áreas prioritárias de conservação, pois é um absurdo o sistema de proteção de áreas naturais só cobrir 0,87% da região que a caatinga ocupa.
           Como afirmam os pesquisadores, `um plano regional para o estabelecimento de áreas prioritárias para conservação na caatinga deve considerar a densidade das cidades e das rodovias como um indício de distúrbio e como um sinal de degradação potencial do habitat`.

Um comentário:

  1. Concordo com o artigo, as cidades não precisam parar de se desenvolver, é necessário apenas um bom planejamento, acredito ser possível ter grandes espaços desenvolvidos com uma porcetagem considerável de vegetação nativa. Ao se levar em conta todos os componentes de um meio, seja ele urbano ou rural, tem-se muito mais chance de ter êxito no plano de desenvolvimento.

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