segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O boom do mall

    O SHOPPING center, ou mall, é uma construção que reúne estabelecimentos de comércio, lazer e serviços em um edifício único, dando feição concentrada e uniforme a atividades que se realizavam de modo heterogêneo e disperso nos centros comerciais de bairro. Verticalizado e introvertido, se baseia no uso de equipamentos técnicos como o ar-condicionado e a escada rolante, e no oferecimento de
conforto e segurança ao público.
Como tal, é produto da prosperidade norte-americana do pós-guerra, correlata à decadência dos antigos centros urbanos e à expansão dos subúrbios. Significativamente, surgiu apenas alguns anos depois que o Congresso Internacional dos Arquitetos Modernos (8º Ciam, 1951) debatia o tema do "coração da cidade", movido pelo espírito comunitário que renascia.
O primeiro edifício realizado integralmente nesses moldes é o Southdale (Minneapolis, 1956), projetado por Victor Gruen, arquiteto judeu vienense que imigrou para os Estados Unidos em 1938, fugindo do nazismo. Um ótimo registro desse momento e seus desdobramentos está em "Mall Maker: Victor Gruen, Architect of an American Dream", de M. Jeffrey Hardwick. Obra que descreve Gruen como um personagem ambivalente: um europeu de inclinação socialista fascinado pela pujança do mercado americano e seu pragmatismo. Um arquiteto horrorizado com a vulgaridade comercial do subúrbio e empenhado em civilizá-lo, mas que terminou, paradoxalmente, suburbanizando as cidades.
E, por fim, alguém que, como outros grandes inventores do século 20, acabou desiludido e oprimido por sua própria cria, vendo o mall alterar a paisagem ao redor de Viena, para onde refugiou-se no final da vida.
Hoje tornou-se um lugar comum considerar o shopping como o templo da sociedade contemporânea: catedral de uma religião sem deus, cujo objeto de culto (reificado e fetichizado) é a mercadoria análise geralmente acompanhada de uma crítica ao seu caráter segregador e artificioso. De fato, o shopping tornou-se a expressão cabal do capitalismo tardio e do gosto populista pós-moderno pelos ícones comerciais, acompanhando uma transformação da arquitetura em cenário. No entanto, é interessante perceber o sentido não unívoco desse processo. Para Gruen, o mall era um instrumento de planejamento moderno por excelência, uma cápsula de urbanidade que deveria funcionar como antídoto ao congestionamento viário dos centros históricos, e coração de novos núcleos urbanos: "megaestrutura" que aglutinaria ao redor de si edifícios de habitação, escolas, hospitais, parques etc.
Ocorre que a lei governamental (1954) que permitiu o sucesso estrondoso do mall foi também a que enterrou o urbanismo de Gruen: a drástica redução nos impostos oferecida a grandes empreendimentos no setor varejista, tornando a recuperação do capital investido proporcional à escala da obra. A partir daí, a vocação do mall seria a de satélite isolado em terrenos baratos, negócio imobiliário auto-justificável e sem lastro na sociedade: uma máquina de diluição de cidades.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A utopia dos arranha-céus sustentáveis

O macro setor da construção civil tem um papel sócio-econômico importante no Brasil, no entanto, é o menos desenvolvido e mais tradicional da indústria brasileira e mundial. Essa caracterização se deve ao fato de que até o final da década de 1970, a indústria da construção era financiada em grande parte pelo Estado, que não possuía nenhum programa de qualidade que incentivasse as empresas a investirem em tecnologia e consequentemente em especialização de mão-de-obra, outro fato que faz com que a boa parte das inovações na construção aconteçam a longo prazo.
Por esse tipo de cenário é que se tem o êxito da utilização do concreto armado no Brasil. Não por suas qualidades técnicas e plásticas, mas principalmente por ser um material com componentes abundantes, fáceis de serem encontrados e por isso mais baratos, além de poder contar com mão-de-obra artesanal, o que se torna perfeito para um país subdesenvolvido.
Analisando a questão de abundância de matéria prima, os produtos metalúrgicos, no Brasil também deveriam ser mais baratos, já que o subsolo brasileiro, principalmente o de Minas Gerais, é rico em minerais para essa produção. No entanto, a produção depende da siderurgia, que consequentemente depende de combustíveis fósseis, tais como o carvão e o petróleo, que precisam ser importados em larga escala e é esse fato que a produção onerosa.
O desenvolvimento da tecnolgia de pré-fabricados vem tornando esse sistema competitivo em vários segmentos. Os novos materiais empregados são os responsáveis por essa discreta revolução da construção há alguns anos nos países desenvolvidos e que já se faz presente também no Brasil. A última palavra no país em se tratando dos pré-fabricados é o GFRC, um microconcreto de alta resistência, constituído de cimento, areia silicosa, água, aditivos e fibras de vidro alcali-resistentes dispersas no produto. Uma das qualidades do GFRC é sua plasticidade, que propicia efeitos arquitetônicos de alto e baixo relevos, impossíveis de obter com outros materiais. Um painel pronto dessa forma, apresenta uma massa que é cerca de ¼ da habitual para um painel equivalente em concreto tradicional, proporcionando estruturas mais esbeltas e fundações mais econômicas, e um comportamento térmico e acústico muito superior. Outra qualidade é que o sistema sendo previsto ainda na fase de projeto permite o aproveitamento máximo dos seus benefícios, entre eles a leveza, a rapidez na colocação e a praticidade na execução das diversas instalações. Essa escolha interfere diretamente nos cálculos estruturais e nos projetos de hidráulica e elétrica, entre outros. Ou seja, todo o processo construtivo, do alicerce aos acabamentos, foi planejado levando em consideração o uso desse material. Apesar de excelente solução com relação ao peso próprio da peça e ao transporte, os painéis de GRFC têm um custo muito alto se comparados às placas tradicionais de concreto e apresentam um risco de variação de preço muito alto, pois alguns de seus componentes que conferem leveza são derivados do petróleo.
Vale lembrar que novas tecnologias não quer dizer apenas novos materiais. O aprimoramento de conceitos e técnicas também trazem grandes progressos, que não possuem somente razões financeiras mas também, ambientais. Embora a sustentabilidade esteja sendo muita discutida no Brasil, não se tem um produto desses debates, uma tecnologia capaz de evitar desperdícios energéticos e poluição no solo com resíduos.  Porém já se pode fazer uma diferenciação da construção sustentável e da ecológica. Embora tenham o objetivo de gerarem habitações e edifícios que preservem o meio ambiente e de buscarem soluções locais para problemas por elas mesmas criados, a Construção Sustentável faz uso de eco-materiais e de soluções tecnológicas e inteligentes para promover o bom uso e a economia de recursos finitos (água e energia elétrica), a redução da poluição e a melhoria da qualidade do ar no ambiente interno e o conforto de seus usuários. A Construção Ecológica utiliza materiais naturais e produtos originados da reciclagem de resíduos gerados pelo seu próprio modo de vida e essa é a diferença para a construção sustentável que pode fazer a opção pela utilização ou não desses produtos, sendo muitas vezes utilizados ecoprodutos fabricados industrialmente, adquiridos prontos, com tecnologia em escala, atendendo a normas, legislação e demanda do mercado.
O edifício para ser considerado sustentável deve/deveria:
a) usar recursos naturais passivos e de design para promover conforto e integração na habitação;
b) usar materiais que não comprometam o meio ambiente e a saúde de seus ocupantes e que contribuam para tornar seu estilo de vida cotidiano mais sustentável (por exemplo, o usuário de embalagens descartáveis deveria usar produtos reciclados a partir dos materiais que, em algum momento, ele mesmo usou);
c) resolver ou atenuar os problemas e necessidades gerados pela sua implantação (consumo de água e energia);
 d) promover saúde e bem-estar aos seus ocupantes e moradores e preservar ou melhorar o meio ambiente.

Reportagem na integra disponível em: http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp367.asp
 

Entrevista

Divina do Espirito Santo, 82 anos, moradora de São Gonçalo do Bação

Na sua opinião, o que poderia ser melhorado na cidade para favorecer o crescimento da economia?
Divina - Olha, a cidade aqui sempre foi meio parada, mas de uns tempos pra cá, por ser muito perto de Itabirito, as pessoas tem vindo muito passar o fim de semana, procurando cachoeiras. Mas não temos hotel nem nada, nem restaurante tem direito...Ai fica aquele tanto de gente no buteco!Já ouvi muita gente procurando por pousada e aqui também não tem. Acho que um restaurante e um hotel iam ajudar bastante.

Qual o principal público que frequenta a cidade?
DES- Muita gente jovem...Essa moçada que topa tudo e nem tem preocupação com nada, porque aqui não tem estrutura direito, ai como vem pai com crianças se não tem nem onde eles almoçarem?

A Prefeitura incentiva esse tipo de turismo?
DES- Na antiga administração tinham várias caminhadas na natureza, mas agora acabou. Alguns sitios tem recebidos turistas sabe?Eles tomam café da manhã e dormem e só...Tem muita coisa bonita na região que podiam aproveitar!

A senhora consegue identificar algum tipo de desvantagem com a divulgação da localidade e do turismo na região?
DES- Isso tem ne!?Mas se a polícia está por perto tudo fica organizado. Quando aqui fica cheio nos fins de semana ou nas férias, fico pensando como era bom quando só tinha meia dúzia de casa e todo mundo se conhecia...

A cidade então se desenvolveu nos últimos tempos?
DES- Concerteza. O número de sítios é muito maior. Muita gente de Belo Horizonte comprou ou construiu sítio por aqui ai no fim de semana vem tudo pra cá pra fugir daquela locura da cidade. Agora, saio na rua, vou à missa custo a reconhecer as pessoas, é muita gente diferente que aparece. Dá um pouco de medo até, agente não sabe como são essas pessoas ne!?

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Ecoeficiência: um passo rumo à sustentabilidade

Fonte: Revista Linha Ecológica - 1ª edição

Segundo o IDHEA - Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica, a construção civil é o segmento que mais consome matérias-primas e recursos naturais no planeta, além de ser o terceiro maior responsável pela emissão de gases poluentes à atmosfera.

Diana Scillag, diretora do CBCS - Conselho Brasileiro de Construção Sustentável - afirma que, de tudo o que é extraído, apenas entre 20% e 50% das matérias-primas naturais são realmente consumidas pela construção civil e que aproximadamente 40% da energia mundial são consumidas pelos edifícios, tanto na construção quanto no período ocupacional. De acordo com o comitê temático da água do CBCS, a construção civil é responsável por exorbitante parte do consumo de água potável no mundo.

Este tipo construção, comum até hoje, é fruto de uma visão de trabalho direcionada para a produção em larga escala que objetiva lucros e credibilidade da empresa no mercado e, na maioria das vezes, não considera questões ambientais. Nos últimos anos, com o grande aumento da discussão sobre os impactos ambientais deste modelo, o tema sustentabilidade tem sido, cada vez mais, abordado pela mídia e vem modificando a visão de empresas de todos os setores da economia.

Sustentabilidade é um conceito que engloba aspectos ambientais, sociais, econômicos e culturais da sociedade humana, considerando o melhor para as pessoas e para o ambiente, tanto agora como para um futuro indefinido. Ela pode ser vista, ainda, como um desenvolvimento que não compromete a disponibilidade de recursos para as gerações futuras.

Para ser considerado sustentável, um empreendimento humano deve ser:
  • Ecologicamente correto;
  • Economicamente viável;
  • Culturalmente aceito;
  • Socialmente justo.
Um dos fatores que influencia positivamente a atividade da construção civil rumo à sustentabilidade é a utilização de produtos e serviços ecoeficientes. Segundo o WBCSD - World Business Council for Sustainable Development, a ecoeficiência pode ser obtida através da união entre, o fornecimento de bens e serviços sustentáveis a preços competitivos que satisfaçam as necessidades humanas, e, assim, promovam a redução dos impactos ambientais e de consumo de recursos naturais.

“O custo de uma construção mais sustentável pode ou não ser maior do que a da convencional, dependendo de vários fatores, tais como a localização da obra e o nível de sustentabilidade que se pretende”, diz Silvia Manfredi, arquiteta e diretora da ANAB Brasil - Associação Nacional de Arquitetura Bioecológica. “É o projeto que definirá as estratégias bioclimáticas, priorizando soluções visando a eficiência energética e conforto; o uso de sistemas e tecnologias para redução do consumo de água; e, principalmente, a otimização dos recursos utilizados na obra. Com isso, pode-se chegar a um custo de 1% a 5% maior que o de construções tradicionais - e esse custo vem caindo nos últimos anos, no mundo todo. Devemos lembrar que o custo de operação de um edifício ao longo de 50 anos chega ser cinco vezes maior do que o custo de construção propriamente”, complementa Silvia.

Entretanto, existe uma grande dificuldade no acesso a produtos e serviços que atendam a este perfil, devido, principalmente, ao ainda pequeno número de soluções ecoeficentes existentes quando comparado ao das tradicionais, grande obstáculo para a busca dessas soluções no mercado. Assim, percebe-se, claramente, a necessidade de um meio bem segmentado destinado à divulgação de produtos e serviços ecoeficientes, acelerando a disseminação do uso dessas técnicas e as tornando cada vez mais viáveis, através do contato direto entre aqueles que tentam aplicar o conceito de sustentabilidade em suas construções e reformas e os profissionais e empresas que investem neste conceito.


Solo-cimento: o que é e como usar



O solo-cimento
é um material alternativo de baixo custo, obtido pela mistura de solo, cimento e um pouco de água. No início, essa mistura parece uma "farofa" úmida. Após ser compactada, ela endurece e com o tempo ganha consistência e durabilidade suficientes para diversas aplicações no meio rural. Uma das grandes vantagens do solo-cimento é que o solo um material local, constitui justamente a maior parcela da mistura.

O solo-cimento é uma evolução de materiais de contrução do passado, como o barro e a taipa. Só que as colas naturais, de características muito variáveis, foram substituídas por um produto industrializado e de qualidade controlada: o cimento.


Modos de utilização

Há 4 modos de utilização do solo-cimento: tijolos ou blocos, pavimento, parede maciça, ensacado. Os tijolos ou blocos de solo-cimento são produzidos em prensas, dispensando a queima em fornos. Eles só precisam ser umidecidos, para que se tornem resistentes. Além de grande resistência, outra vantagem desses tijolos ou blocos é o seu excelente aspecto.

As paredes maciças são compactadas no próprio local, em camadas sucessivas, no sentido vertical, com o auxílio de formas ou guias. O processo de produção assemelha-se ao sistema antigo de taipa de pilão, formando painéis inteiriços, sem juntas horizontais.

Os pavimentos também são compactados no local, com o auxílio de fôrmas, mas em uma única camada. Eles constituem placas maciças, totalmente apoiadas no chão. O solo-cimento ensacado resulta da colocação da "farofa" úmida em sacos, que funcionam como fôrmas. Depois de terem a sua boca costurada, esses sacos são colocados na posição de uso, onde são imediatamente compactados, um a um. O processo de execução assemelha-se à construção de muros de arrimo co matacões de pedra.
 
Fonte: E-Civil

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Turismo Rural - Entrevista

Entrevistado: José Geraldo Fernandes de Araújo (Pós Doutorado na Universidade de Córdoba -Espanha, na area de Turismo e Desenvolvimento Rural)

Em que consiste, basicamente, a atividade de agroturismo ou turismo rural?

José Geraldo - Um dos problemas que encontramos ao estudar e, ou, descrever o que seja turismo rural está no campo das definições, em face das ambigüidades expressas pelas palavras turismo e rural. Contudo, podemos, sem nos preocupar com esses detalhes, dizer que o turismo rural consiste num turismo concebido pelos habitantes do país, ou seja, um turismo que respeita a sua identidade, dado que representa a zona rural em todas as formas. Pode ser entendido como aquelas atividades que, na maior parte, se identificam com as especificidades da vida rural, seu habitat, sua economia e sua cultura. É o turismo que se realiza no espaço rural – é a soma de ecoturismo e do turismo verde, cultural, esportivo, agroturismo e turismo de aventura.

Assim, o turismo rural engloba todas aquelas modalidades de turismo anteriormente descritas, as quais não se excluem, mas se complementam, como círculos concêntricos, onde cada um deles se integra ao precedente, sem perder de vista que essas atividades devem, sempre, propiciar aos agricultores e à região benefícios sociais e econômicos. Para mim, turismo rural é tudo o que ocorre no meio rural, em oposição ao turismo convencional, com relação ao aproveitamento do turismo. Consiste, entre outras, na “comercialização” das seguintes atividades/ produtos: caminhadas, visitas a parentes/ amigos, sítios históricos, visitas a paisagens cênicas/ fauna/ flora, gastronomia regional, artesanato e produtos agro-industriais, etc. prefiro muito mais o termo turismo em áreas rurais, do que a denominação turismo rural, porque aquele engloba não apenas as atividades de serviços não-agrícolas que vêm se desenvolvendo no interior das propriedades rurais, tradicionalmente denominadas de turismo rural ou agroturismo, mas também aquelas atividades de lazer realizadas no meio rural, denominadas de turismo ecológico ou ecoturismo, ou outra modalidade qualquer, com o objetivo de trazer benefícios sociais e econômicos para os agricultores e para a região.

Desde quando e em que extensão esse tipo de atividade vem sendo implementada em países desenvolvidos?

José Geraldo - Foi a partir da Segunda Guerra Mundial, na França, e a partir da década de sessenta, na Espanha, que tiveram início as primeiras atividades turísticas rurais. A partir daí, os demais países europeus, à medida que perceberam a importância econômica dessa atividade, aderiram a ela. Por exemplo, Portugal iniciou-se nessa atividade em 1979; Bélgica, em 1970; Grécia, em 1983; Itália, em 1965, dentre outros.

Com relação aos Estados Unidos, essa atividade nasceu, desde época remota, da necessidade de hospedar quem viajava por regiões despovoadas e de paisagens atraentes, porém carentes de uma estrutura de serviços. Assim, os americanos recolhiam em seus ranchos os caçadores e pescadores que chegavam à região durante a temporada desses esportes. Com o decorrer do tempo, ao constatarem que o manejo racional dos serviços poderia significar ingressos adicionais, procuraram aperfeiçoar a oferta, agregando uma série de outros serviços. Atualmente, existem nos Estados unidos, segundo a bibliografia, mais de duzentos e cinqüenta estabelecimentos que oferecem essa modalidade de hospedagem, com as mais diferentes denominações.

Qual o potencial do turismo rural no Brasil? Existe demanda para esse tipo de atividade em nosso país?

José Geraldo - Esse potencial, a meu ver, é bastante promissor, principalmente quando se sabe que a atividade agrícola tradicional vem perdendo prestígio em detrimento de outras atividades, à media que decisões pertinentes a ela são tomadas por pessoas ou por organizações pouco comprometidas com sua causa. Como a maioria desses produtores é composta de pequenos e médios, responsável pela produção de grande parte dos alimentos básicos da população brasileira, vejo a implementação do turismo rural como uma alternativa a mais, com alta probabilidade de melhorar a situação que estão atravessando, tendo em vista que casos semelhantes em outros países foram resolvidos com a introdução do turismo nas propriedades com problemas semelhantes, razão por que posso afirmar que existe demanda dessa atividade. Por outro lado, basta observar, sem usar nenhum indicador mais complexo, mas somente uma situação que aconteceu mais próxima de nós, o número de agricultores que, na última Semana do Fazendeiro, realizada pela UFV no mês de outubro próximo passado, demandou o Curso de Turismo Rural, oferecido naquela oportunidade, em relação ao número de participantes de outros cursos.

Entretanto, outras justificativas podem comprovar a questão. A primeira está relacionada com os preços dos alojamentos, que são relativamente menores, quando comparados com os das hospedagens da hotelaria convencional; a segunda é o fato de essa atividade se realizar, majoritariamente, em território nacional em regiões mais próximas, o que significa maiores oportunidades de freqüentá-los em datas fora das férias tradicionais; a terceira é o elevado número de competições e práticas esportivas, festas recreativas, entre outras, que vêm tendo como base física o meio rural, fugindo das grandes concentrações; a quarta justificativa, finalmente, está relacionada com um amplo fenômeno de conscientização das sociedades avançadas e altamente urbanizadas deste final de século XX. Além disso, o turismo tem papel fundamental na gestão do território, dada sua capacidade de estimular o aproveitamento do potencial de desenvolvimento endógeno de determinado local, tomando como base “a velha e correta idéia de entender os agricultores também como criadores de paisagens”, razão por que o desenvolvimento do mundo rural terá que valorizar, muito mais que no presente, a promoção das atividades distintas das agrárias.

Quais as principais vantagens e desvantagens que poderiam advir da expansão do turismo rural em nosso meio?

José Geraldo - Como qualquer atividade, o turismo pode apresentar pontos positivos como negativos para a sociedade como um todo, especificamente para o meio rural, se determinados “fundamentos” sócio-culturais e ambientais não forem observados. Daí a importância de se desenvolver o conceito de turismo sustentável, visto como a perfeita triangulação entre as destinações, os turistas e os prestadores de facilidades para os visitantes. O turismo sustentável procura adequar os interesses de cada um dos parceiros do triângulo, minimizando as tensões e buscando um desenvolvimento a longo prazo, por meio do equilíbrio entre o crescimento econômico e a necessidade de conservação do meio ambiente. Para tanto, deve-se preocupar em proteger:

a)cultura e as características das comunidades receptoras;

b) as paisagens e os “habitat”,

c) a economia rural;

d) o crescimento a longo prazo da atividade turística, que estimulará a qualidade da experiência vivencial buscada pelos visitantes;

e) a compreensão, a liderança e a visão de longo prazo entre os empreendedores.

Para que o turismo possa ser considerado como fator de desenvolvimento, este deve ser contemplado com um plano estratégico regional e, ou, local. Essa estratégia, para ser bem sucedida, necessita, indispensavelmente, do apoio e da participação efetiva da comunidade loca; caso contrário, a estratégia ou qualquer política de desenvolvimento não será bem sucedida.

Especificamente, como principais vantagens advindas da implementação dessa atividade, conclui-se que o turismo rural:

a) constitui fonte de renda via impostos e divisas para as localidades nas quais ocorre;

b) gera mão-de-obra local, fazendo reverter, em certos casos, o processo de êxodo rural de jovens, que não precisam mais migrar para as grandes cidades em busca de emprego;

c) estimula uma série de atividades produtivas inerentes ao contexto rural, tais como produtos agrícolas, construções e serviços públicos, transportes e outros;

d) “capitaliza” o meio rural, agregando valor à produção agrícola ou pecuária, por intermédio do desenvolvimento das pequenas e médias indústrias e da potencialização de produtos de qualidade típicos de cada zona.

Como externalidades negativas que poderão ocorrer com sua implantação, caso aquelas preocupações acima relatadas não sejam levadas em consideração, podem-se citar:

a) os impactos ambientais graves decorrentes da proliferação desordenada de construções;

b) o abandono, ainda que não completo, das atividades agropecuárias;

c) a excessiva terceirização da atividade econômica e a grande dependência da atividade turística, sem que se desenvolvam atividades alternativas para a população rural, dentre outros.

Quais os fatores mais restritivos à rápida expansão do turismo rural e como poderiam ser superados?

José Geraldo - A meu ver, falta ao país uma política integrada de planejamento do turismo rural. O que se tem na área turística em termos de política, salvo melhor juízo, apresenta-se tímido! É inconcebível que o Brasil trate uma atividade, que tirou, por exemplo, a Espanha de uma situação de atraso, como mero “apêndice” de um programa de um ministério. É no turismo e, especificamente, no turismo rural que devemos ancorar grande parte das nossas expectativas de nosso crescimento sócio-econômico. Considerando os recursos naturais que temos, o calendário de festas que realizamos, a diversidade cultural que integramos e o fato de sermos um povo novo, como poderemos ter uma conta turismo tão inexpressiva? Se a atividade turística estimula o crescimento de países bem menos ricos do ponto de vista da diversidade cultural e muito menos dotados de grandes sítios naturais que o Brasil, por que não fomentarmos um setor que gera dez vezes mais empregos por real investido, que não polui e que melhor distribui renda? Precisamos de uma política integrada de investimento e planejamento do turismo rural. Em outras palavras, uma visão empreendedora dos nossos dirigentes.

Quais as condições mínimas necessárias para o sucesso desse tipo de atividade?

José Geraldo - Como acabamos de conversar, creio que além dessas condições explicitadas, precisamos considerar ainda aquelas relacionadas com as especificações técnicas normais a qualquer projeto, como estudo da realidade, viabilidade econômica, etc., ou seja, deve-se iniciar a atividade com base em um planejamento bem estruturado, para saber para onde (como, quando) ir, além da capacitação de seus empregados para realizar essa nova atividade com o profissionalismo que ela exige.

Gostaria, se me permite, antes de terminarmos essa conversa, de dizer que o turismo rural não pode ser considerado uma panacéia, não pode ser ignorado como alternativa aceleradora para implementar o desenvolvimento rural, pois acreditamos, como já disse Yruela, que “não há territórios condenados, mas apenas territórios sem projetos”.

José Geraldo - é ex-professor da UFV, Engenheiro Agronomo, com Mestrado em Economia Rural (UFV) e Doutorado em Ciências da Comunicação-USP e Pós Doutorado na Universidade de Córdoba -Espanha, na area de Turismo e Desenvolvimento Rural.Atualmente, é professor da UNA - BH.

O Turismo Rural: instrumento para o desenvolvimento sustentável

O desenvolvimento do turismo rural no Brasil

             O meio rural brasileiro tem passado por profundas mudanças nos últimos anos, seja no que diz respeito à aspectos ocupacionais, seja na interpretação de sua noção ou significado contemporâneo (SILVA, VILARINHO E DALE, 1998). Como exemplo destas transformações são mencionadas as “novas definições” atribuídas ao meio rural (turismo, casas de segunda moradia, lazer, etc.), alterando não somente a paisagem, como também as relações e significados sociais no espaço agrário.
            O crescente mercado de atividades não agrícolas no meio rural são responsáveis cada vez mais pela ocupação econômica do campo, introduzindo novas estratégias familiares de reprodução.
            Todas essas transformações vêm ressaltar a importância do turismo na sociedade pós-moderna. Criam-se necessidades de fuga ao cotidiano, à procura de lugares mais saudáveis e de um contato mais estreito com a natureza, O lazer e, em especial, as viagens são incorporadas à vida dos homens, como necessidades fisiológicas para a reprodução de energia física e mental. 
            Tudo isso, vem refletir na organização dos espaços, tanto nos urbanos quanto nos rurais. Registram-se consideráveis preocupações na procura da qualificação de áreas para atender à demanda do tempo livre e do lazer.
Seguindo as linhas gerais do capitalismo, o turismo se expande subordinando-se aos grandes centros de decisão da economia. Modernamente, o turismo se organiza em forma de “clusters”, constituindo aglomerações geográficas de empresas com equipamentos, serviços de qualidade e excelência de gestão, competindo com os grandes mercados.
            Entretanto, segundo os registros da OMT apud XAVIER (1999), a nível global, a atividade turística ligada aos grandes centros representou cerca de 90% em 1990. Entretanto, apresentou uma considerável queda, passando para apenas 60% no ano 2000. Ressalte-se que esses dados indicam a possibilidade da expansão de formas alternativas, a exemplo do desenvolvimento local que, valorizando o município, constitui uma via mais coerente para o envolvimento de uma comunidade com o turismo.
            A concepção de estratégias de desenvolvimento local pelo turismo encontra-se no nível de micro-regiões, de pequenos territórios, de cidades pequenas e médias ou mesmo de vilas e povoados onde são fortemente sentidas as mediocridades de condições de vida, traduzidas no êxodo e na pobreza. (Rodrigues, 1997).
            Benevides (1996) postula que o turismo com base no desenvolvimento local se contrapõe ao modelo dominante em vários países como o Brasil, conectado com o processo de globalização e que acarreta tendências ambientais degradantes. Segundo esse autor, a manutenção da identidade cultural dos lugares constitui uma via mais democrática de desenvolvimento e que acarreta tendências ambientais menos degradantes, Ressalte-se, a manutenção da identidade cultural dos lugares tendo na comunidade os atores do processo, favorece o estabelecimento de pequenas operações com baixos efeitos impactantes de investimentos.
            No mesmo sentido, Portuguez (1999) ao tratar do turismo e desenvolvimento local estudando o turismo rural, comenta que os modelos tradicionais de acumulação não se incomodam com os custos sociais e ambientais. Nesse sentido, destaca que o turismo não necessariamente, rompe com o ideal de acumular rendimentos, mas, considera, a conservação ambiental, a salvaguarda do patrimônio e a manutenção das peculiaridades culturais de cada coletividade.
             Para Cavaco (1996) o turismo ligado ao desenvolvimento local se assenta na revitalização e na diversificação da economia. Possui plena capacidade de fixar e atrair a população com êxito no sentido de assegurar melhores condições de vida. Apresenta, também, considerável êxito na valorização da produção agrícola além de favorecer os planos de desenvolvimento do artesanato e de outras atividades ligadas ao turismo e à cultura, a exemplo das feiras e das festas tradicionais e populares.
            Além disso, tais modelos têm, por vezes, gerado efeitos negativos do próprio crescimento, a exemplo da externalização e socialização dos custos ambientais, como o uso intensivo dos recursos naturais que levam aos limiares da sustentabilidade, ocasionando o desemprego, a violência e a pobreza Portanto, é sugerido por Cavaco formas alternativas de turismo que possam estimular a implantação de pequenas e médias empresas e manutenção de unidades artesanais de produção de bens e serviços.
           Ao lado de tudo isso, particularmente, são lembrados dois fatos, resultantes das grandes transformações deste final de século e que sobremaneira refletem na valorização do potencial dos lugares: o retomo à natureza e a revalorização dos aspectos culturais.
            A revolução industrial estimulou o crescimento das cidades em todo o mundo. Os grandes complexos urbanos industriais significaram uma verdadeira prisão para os homens. Como conseqüência, resultaram crises que conduziram a situações de fadigas, como o estresse urbano. Como resultado, as pessoas se deslocam à procura da liberdade, de lugares onde possam usufruir um espaço natural com paisagens menos modificadas. Tal situação vem proporcionar a valorização das segundas residências e, especialmente, do turismo orientado pela natureza. A natureza oferece locais para contemplação, para aventura, para esportes ao ar livre e para as pesquisas.
             De acordo com XAVIER (1999), estimou-se que o turismo orientado pela natureza envolveu cerca de 38 milhões de pessoas, representando 10% do fluxo mundial, em 1990. No ano 2000 esse segmento passou a envolver mais de 240 milhões de pessoas e a representar 40% do fluxo mundial. Na escala de valores financeiros, passou de 16 milhões em 1990 para 120 milhões de dólares em 2000.
             O outro aspecto, que se registra é o redespertar dos valores culturais, valorizando as manifestações antropológicas, religiosas, artísticas, folclóricas, artesanais e históricas
No caso brasileiro, apesar da preocupação pelo patrimônio cultural datar-se da década de trinta, portanto mais antiga que a preocupação com preservação do meio ambiente natural, que se manifestou na década de setenta, não há dúvidas de que nessas últimas décadas o turismo cultural passou a receber uma mais profunda valorização.
            Além de todas essas considerações que se traduzem no valor do turismo local, surge outro aspecto de consideração extremamente relevante: o envolvimento da comunidade. A comunidade local tem oportunidades de envolvimento em todas as fases do processo de implementação do turismo, bem como na tomada de decisão sobre o planejamento. Portanto, considera-se de fundamental importância a participação comunitária nos processos de inventário e no planejamento, a nível municipal.








Turismo Rural

Hamm destaca aprovação do projeto que cria condições de incentivos ao turismo rural

O deputado federal Afonso Hamm (PP-RS), que integra a Comissão de Turismo e Desporto (CTD) na Câmara dos Deputados, destaca que foi aprovado nesta semana na Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania (CCJ) o Projeto de Lei (PL) 5077/09, do deputado Silvio Torres (PSDB-SP)

Esse projeto, que segue agora para o Senado, tem como propósito criar condições para o incentivo do turismo rural no país.
 

Afonso Hamm, em 2009, foi relator do PL quando tramitou na CTD. Na CCJ, o texto foi aprovado de forma conclusiva. A proposta prevê administração de hospedagem em meio rural; fornecimento de alimentação e bebidas em restaurantes e meios de hospedagem rurais; organização e promoção de visitas a propriedades produtivas ou propriedades inativas de importância histórica. No projeto também consta a exploração de vivência de práticas do meio rural e exploração de manifestações artísticas ou religiosas.

De acordo com Hamm, esse projeto traz muitos benefícios uma vez que novos empregos serão criados e ainda visa à melhoria da qualidade de vida aos empregadores, funcionários e aos que desfrutam a atividade de turismo rural. “Ao facilitar a atividade econômica em meio rural, com a exploração das modalidades de turismo que são praticadas longe das cidades, contribuirá para a redução das desigualdades regionais no Brasil”, detalha Hamm ao assinalar que com esse projeto a atividade do turismo rural se expandirá e contribuirá ainda mais para o desenvolvimento social e econômico do país.

O PL resolve uma pendência que existe há anos: a inadequação do tratamento fiscal e previdenciário aos empreendedores rurais que se ocupam, ou que, pretendem se ocupar, também, do turismo rural, assinala.


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Sustentabilidade

Material ecológico reduz até 50% o custo final da construção

A produção de tijolos saltou de 1,5 mil para nove mil por dia para atender a demanda.

Nos últimos dois anos, a busca pela sustentabilidade nas obras em Mato Grosso do Sul fez triplicar as vendas de materiais considerados ecológicos. E por conta dessa conscientização da preservação do meio ambiente, o uso de produtos antes considerados tendência e com preços bem acima do normal, hoje, pelo aumento da demanda, já estão bem menores, e conseguem reduzir em até 50% o valor final de um empreendimento, se comparado a um comum.

O sócio-proprietário da Tecpan, Lucas Gonçalves Simões, por exemplo, teve que, no último ano, aumentar a produção de sua empresa de tijolos ecológicos em 500% para atender o mercado em franca expansão, saindo de 1,5 mil por dia para 9 mil. A média de imóveis construídos pela empresa, passou de meia casa por dia, para, no mínimo três.

"As pessoas, além de estarem mais conscientizadas da importância da questão ambiental, elas também têm buscado economia de tempo e dinheiro. Uma casa com esse tipo de
material, que seria levantada em 10 dias com o tijolo comum, leva apenas quatro com o mesmo quantitativo de trabalhadores por conta do seu formato de encaixe e, nos materiais, somente no uso do cimento há uma economia de 60% - o que a torna um ótimo negócio", explica.


Os tijolos comuns, que segundo a arquiteta Mariana Inácio representam 90% de uma obra, quando substituídos pelos ecológicos, feitos de solo e cimento (sem queima), bagaço de cana-de-açúcar, entulhos ou restos de obra, representam grande ganho ambiental. A cada mil unidades produzidas, de oito a 12 árvores de médio porte deixam de ser derrubadas para a fabricação da lenha usada na queima; a emissão de gases poluentes na atmosfera é zero, não há destruição dos mananciais e ainda possibilita o aumento da renda e oferta de emprego na fabricação, que é semi-artesanal.


"E o ganho para o proprietário do imóvel também é expressivo. Dependendo do material usado, pode-se reduzir pela metade o custo total da obra", calcula a arquiteta, ressaltando que além dos tijolos, pode-se usar telhas e pisos ecológicos fabricados a partir dos mesmos materiais e sem queima, além de madeiras recicladas.


Aliado a isso, sistemas de reaproveitamento de água e aquecimento solar podem deixar o empreendimento ainda mais ecologicamente correto, além de proporcionar economia na manutenção mensal do imóvel.

Turismo Rural

As atividades turísticas no espaço rural têm ganho nos últimos anos, grande dimensão econômica e social, envolvendo diferentes atores, demonstrando novos valores. A dificuldade de reconhecer as atividades turísticas no espaço rural tem origem na própria dificuldade de interpretar o turismo e o espaço rural e na identificação das diversas formas de como se apresentam.
Observa-se que as atividades de visitação e lazer no espaço rural, como outras formas de turismo, remontam à antigüidade, quando imperadores e guerreiros refugiavam-se nos campos, fugindo do cotidiano da grande Roma. Na Idade Média, os nobres retornavam ao campo, mesmo que temporariamente, à procura do descanso e lazer. Tem-se notícia, na Espanha do início do século XI, do surgimento das primeiras hospedarias rurais no Caminho de Santiago de Compostela, centro de peregrinação cristã. Após a Revolução Industrial, que influenciou o processo migratório da população rural para os centros urbanos, muitas pessoas mantiveram o hábito de visitar familiares e amigos no campo, à procura de vivenciar realidades distantes do cotidiano urbano. Mas, a origem de atividades turísticas no espaço rural, como estratégia de reprodução socio-econômica para o meio, segundo, surgiu há aproximadamente 150 anos, na Alemanha. Lá, as fazendas recebiam visitantes no período das férias escolares, ofertando acomodações mais econômicas e a convivência com o cotidiano produtivo.
Nos últimos anos, a atividade vem alcançando fantásticos índices de crescimento, sendo possível reconhecer uma multiplicidade de formas de fazer turismo nos espaços rurais. Algumas estão diretamente envolvidas com o cotidiano agropecuário, voltadas para a valorização do campo e reconhecimento da cultura local. Outras, como os grandes empreendimentos hoteleiros nas famosas estações de esqui e grandes ressorts espanhóis, utilizam o rural somente como espaço físico para sua implantação e não interagem com a realidade local.
As atividades turísticas no espaço rural brasileiro começaram a se desenvolver há aproximadamente 20 anos e ainda confundem-se em seus múltiplos conceitos. Voltada principalmente para a realidade do campo, com suas tradições e culturas, também é denominado de turismo rural, turismo de interior, turismo alternativo, endógeno, turismo verde e turismo de campo. Apresenta várias modalidades e diferentes possibilidades de integração com as práticas agropecuárias cotidianas, com a criação de animais silvestres como o javali, capivara, avestruz, aves exóticas, atividades esportivas, culturais, medicinais, ou mesmo voltadas para práticas tipicamente urbanas.
Tem-se notícia, no início dos anos 1980, em Lages, Santa Catarina, dos primeiros empreendimentos turísticos do TER no Brasil. Aquela cidade foi batizada de “ Capital Nacional do Turismo Rural”, pois foi onde surgiram os primeiros empreendimentos turísticos rurais, em resposta às dificuldades financeiras enfrentadas por produtores rurais da região. Em um primeiro momento, a Fazenda Pedras Brancas, pioneira na atividade, recepcionava turistas ofertando algumas atividades lúdicas relacionadas ao cotidiano da fazenda. Neste “dia de campo”, o visitante era recepcionado pela manhã, permanecendo até o anoitecer, participando da tosa das ovelhas, do plantio e da colheita. Outras iniciativas se multiplicaram rapidamente e, num segundo momento, fazendas como a do Barreiro e Boqueirão começaram a ofertar hospedagem, além do dia de campo.
No fim do anos 1980, em São Paulo, na região de Mococa, um grupo de proprietários se reuniu e construiu um produto turístico formado por antigas fazendas da região, ofertando cavalgas, hospedagem e gastronomia típica. Tem-se notícia, em 1991, do primeiro empreendimento turístico no espaço rural mineiro, na Fazenda do Engenho, em Carrancas. Em 1993, o Turismo Rural passa a ser também desenvolvido em Lavras do Sul, no Rio Grande do Sul, propagando-se rapidamente pelo país.
O Rio Grande do Sul, um estado que prima pela preservação de suas tradições culturais, adotou uma política de desenvolvimento e fomento do Turismo Rural, que vem apoiando a atividade, criando rotas rurais com o objetivo de reunir propriedades e municípios próximos pela valorização do produto local (p.ex: uva e vinho) ou de uma característica marcante (p.ex: colonização italiana) e apoiando o surgimento das “fazendas-pousadas”, na região pecuarista da Campanha Gaúcha. Santa Catarina, o berço das atividades turísticas nos espaços rurais no Brasil, possui leitos rurais, em sua grande maioria no Planalto Serrano e Vale do Itajaí, mas existem áreas de turismo rural espalhadas pelas demais regiões.
Neste estado, foi criada a ABRATURR (Associação Brasileira de Turismo Rural), inicialmente como associação representativa dos empreendedores do turismo de Lages-SC, hoje atuando em âmbito nacional. O Paraná, estado de grande beleza, encontra-se em plena fase de valorização e reconhecimento da realidade e cultura rural, apresenta programas como a Rota dos Tropeiros que leva o turista a reconhecer o caminho e as experiências vividas anteriormente por aqueles que foram os desbravadores regionais .
Em São Paulo, o fortalecimento do turismo em áreas rurais, especificamente do TR, aconteceu depois do fim dos anos 90, mas, anteriormente já existiam alguns empreendimentos espalhados pelo Vale do Paraíba e na região de Mococa. Atualmente, é possível verificar atividades voltadas para o cotidiano do campo e em áreas de proteção ambiental. Em Sousas e Joaquim Egídio, em Campinas, ativaram-se projetos voltados para o reconhecimento pelos turistas do cotidiano agropecuário das propriedades nelas inseridas e em municípios, como Amparo, Itu, Bananal, São José do Barreiro, entre outras tantas, com belas e antigas fazendas, aptas para a implantação de programas de turismo. Minas Gerais é o estado brasileiro que detém o maior número de empreendimentos voltados para atividades turísticas no espaço rural, oferecendo um produto voltado para a tradição agropecuária, enriquecido pela arquitetura de suas antigas fazendas igrejas e monumentos, serras, cachoeiras e muitos outros atrativos que disponibilizam um grande número de opções.
Em diversos municípios, como Maria da Fé, Cruzília, Extrema, Santana dos Montes, Jaboticatubas, Tiradentes, Barbacena, Divinópolis, Itapecerica, Carandaí, Congonhas, Ravena, Pedro Leopoldo, Itapeva e Delfim Moreira, podem ser encontrados vários empreendimentos, ofertando diferentes produtos turísticos tais como o cotidiano agropecuário, cavalgada ecológica, grandes empreendimentos voltados para lazer.
O Espírito Santo, um dos estados “mais turísticos deste nosso Brasil”, apresenta especial aptidão para as atividades turísticas no espaço rural voltadas para a valorização do cotidiano produtivo das propriedades agrícolas. Tradicionalmente em municípios como Afonso Cláudio e Venda Nova do Imigrante as atividades turísticas rurais agregam valor e valorizam a realidade local.
O Rio de Janeiro, estado que apresenta grande potencial para a atividade turística no espaço rural, graças à rica tradição regional, belezas naturais e arquitetônicas, propicia ao turista momentos de descanso, lazer e reconhecimento do cotidiano das propriedades, principalmente nas regiões serranas, como no município de Nova Friburgo na região serrana, em Vassouras entre outras tantas belas localidades do Estado.
No Mato Grosso do Sul desenvolvem-se atividades voltadas à visitação ecológica e ambiental nas regiões próximas a Campo Grande e o Pantanal, em propriedades rurais particulares, que oferecem hospedagem, alimentação, programas de pesca, “tours” a cavalos ou de carro, safáris fotográficos, churrascos tipo pantaneiro e excursões pela mata.
O estado da Bahia vem promovendo alguns planos de desenvolvimento regional. Entre eles, a “Rota do Cacau”, que congrega alguns municípios cacaueiros, com antigas fazendas de grande beleza e riqueza arquitetônica, proporcionando ao turista, hospedagem, alimentação, dia de campo e lazer. É possível reconhecer atividades turísticas no espaço rural, nas regiões de Ilhéus, Itabuna, Chapada Diamantina e na periferia de Salvador.
No Distrito Federal, no entorno de Brasília principalmente, existem restaurantes rurais e propriedades que oferecem ao turista a oportunidade de passar o dia na roça, conhecer o cotidiano produtivo e comprar os produtos regionais. Não se pode deixar de comentar a grande importância das atividades turísticas rurais em outros estados da federação tais como Pernambuco, Acre, Amapá ,entre outros tantos, que estão despontando pela qualidade e diversidades de seus produtos turísticos rurais.

Paulistano - Bairro Privativo no Morumbi

INVESTIDORES: Parceria EVEN / ROSSI lançam BAIRRO PRIVATIVO NO MORUMBI COM VGV DE R$ 500 MILHÕES

Empreendimento será o maior condomínio residencial da região, com moderno complexo de lazer e centro comercial numa área de 155 mil metros quadrados.

A Rossi anunciou a construção de um bairro privativo de 155 mil metros quadrados na última área verde disponível no Morumbi, uma das regiões mais nobres da cidade. Com o nome de Paulistano Bairro Privativo, o projeto estima gerar o VGV de 500 milhões e será construído em parceria com a Even. "Este é o mais ousado e importante empreendimento que já desenvolvemos ", enfatiza João Rossi, presidente do conselho de administração e fundador da Rossi. Estrategicamente localizado, o terreno encontra-se próximo às vias de acessos mais importantes da cidade, como Marginal Pinheiros, Av. Berrini, Av. Cidade Jardim e Av. Morumbi. "O que parecia impossível se tornou real. a aquisição do terreno foi uma das nossas maiores conquistas", afirma Marcelo Dadian, diretor comercial da regional São Paulo da Rossi.
Totalmente planejado, o bairro terá 1.055 unidades entre casas (287 unidades) e apartamentos (768 unidades), estes distribuídos em 7 torres. Serão 230 mil m² de área construída e 40 mil m² de alamedas de acesso, além de 52 mil m² de área verde, que envolve jardinagem e espaço preservado. No Paulistano Bairro Privativo será possível viver em casas sem portões, edifícios sem grades, não se preocupar com as crianças brincando na rua e namoros na porta de casa. Para Dadian, o bairro oferecerá a estrutura de um resort com tranqüilidade e segurança no meio da selva de pedras. 


O PAC na Rocinha

As inaugurações realizadas pelas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), na Favela da Rocinha, concretizaram algumas das promessas feitas pelo ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em sua primeira visita a comunidade como Presidente, no dia 07 de abril de 2008.
“Nós estamos aqui no palanque, e na próxima vez que eu vier aqui, a gente não vai poder estar aqui neste palanque, por que aqui vai ser o hospital da Rocinha. será aqui, exatamente neste lugar”. Essa foi uma das promessas feitas pelo então presidente Lula, durante a visita de anúncio da inauguração das obras do PAC na Rocinha.
Faltando pouco para completar dois anos de sua primeira visita a Comunidade, O Chefe do Poder Executivo retornou a Rocinha para cumprir com a promessa. No dia 08 de março de 2010, Lula e o Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, acompanhados de outros políticos (querendo aparecer), adentraram a Favela para inaugurar a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e o Complexo Esportivo.
No mês de Junho, precisamente no dia 27, foi inaugurada a passarela projetada pelo arquiteto centenário, Oscar Niemeyer. Dessa vez a comunidade não foi prestigiada com a visita presidencial. A inauguração contou com a presença de Sérgio Cabral, Luiz Pezão e Michel Temer.
A partir de então, os funcionários do PAC promoveram uma verdadeira aceleração nas obras, para que fossem concluídas outras importantes construções na comunidade, antes que chegasse ao fim o mandato de Lula como Governo Federal.
No dia 21 de dezembro, moradores aguardavam mais uma visita ilustre do Presidente para inaugurações do conjunto habitacional e da nova Rua 4. Coitados, tiveram que se contentar com um discurso via internet das últimas inaugurações na comunidade realizadas por Lula, que já se despedia do cargo de Chefe do Estado.
Provavelmente, muitas pessoas duvidaram que Favelas como a Rocinha fossem, de fato, beneficiadas com as obras do PAC. Talvez muitos tenham se questionado se as promessas das obras não seriam apenas papo político. Mas o trabalho aconteceu e as promessas se cumpriram. Engraçado, hoje, é ouvir pessoas reclamando do desperdício de concreto com as curvas do arco da passarela. Eu, pessoalmente, não tenho nada contra. Acho que a comunidade merece. E Além do mais, é melhor saber que o dinheiro público foi gasto com um monumento, que traz referência positiva para a comunidade, do que descobrir que o nosso dinheiro foi aplicado em alguma conta na Suíça ou na cueca de algum político corrupto.
É claro que as obras concretizadas não são suficientes para mudar a realidade da Favela. Não é somente a estrutura física que vai restabelecer a dignidade do favelado. Mas, com toda certeza, representa um progresso político para as comunidades. Uma prova de que é possível uma gestão governamental que, também, prestigie a camada popular da sociedade.
E o que esperar e/ou exigir da nova Presidente, Dilma Rousseff?
Lula em sua gestão contemplou as comunidades com edificações, trabalhou a parte “concreta” do desenvolvimento social. Talvez, devemos esperar que Dilma trabalhe a parte “abstrata” desse mesmo desenvolvimento. Que assim como as Favelas precisam se desenvolver urbanamente, também, é necessário que se faça o investimento do recurso humano para que os moradores dessas comunidades cresçam socialmente. Instituições sem profissionais qualificados não geram benefícios. É preciso Profissionais suficientes e qualificados para atender a demanda e as necessidades das Favelas.
Espero que o progresso prometido não se limite apenas as construções. Espero, acima de tudo, que esse progresso seja o da desconstrução. Para que seja desconstruído o velho conceito político, que visa, unicamente, defender os interesses da classe dominante da sociedade.
Matéria escrita por Cleber Araujo (jornalista e morador da comunidade da Rocinha) no site www.vivafavela.com.br