sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O Turismo Rural: instrumento para o desenvolvimento sustentável

O desenvolvimento do turismo rural no Brasil

             O meio rural brasileiro tem passado por profundas mudanças nos últimos anos, seja no que diz respeito à aspectos ocupacionais, seja na interpretação de sua noção ou significado contemporâneo (SILVA, VILARINHO E DALE, 1998). Como exemplo destas transformações são mencionadas as “novas definições” atribuídas ao meio rural (turismo, casas de segunda moradia, lazer, etc.), alterando não somente a paisagem, como também as relações e significados sociais no espaço agrário.
            O crescente mercado de atividades não agrícolas no meio rural são responsáveis cada vez mais pela ocupação econômica do campo, introduzindo novas estratégias familiares de reprodução.
            Todas essas transformações vêm ressaltar a importância do turismo na sociedade pós-moderna. Criam-se necessidades de fuga ao cotidiano, à procura de lugares mais saudáveis e de um contato mais estreito com a natureza, O lazer e, em especial, as viagens são incorporadas à vida dos homens, como necessidades fisiológicas para a reprodução de energia física e mental. 
            Tudo isso, vem refletir na organização dos espaços, tanto nos urbanos quanto nos rurais. Registram-se consideráveis preocupações na procura da qualificação de áreas para atender à demanda do tempo livre e do lazer.
Seguindo as linhas gerais do capitalismo, o turismo se expande subordinando-se aos grandes centros de decisão da economia. Modernamente, o turismo se organiza em forma de “clusters”, constituindo aglomerações geográficas de empresas com equipamentos, serviços de qualidade e excelência de gestão, competindo com os grandes mercados.
            Entretanto, segundo os registros da OMT apud XAVIER (1999), a nível global, a atividade turística ligada aos grandes centros representou cerca de 90% em 1990. Entretanto, apresentou uma considerável queda, passando para apenas 60% no ano 2000. Ressalte-se que esses dados indicam a possibilidade da expansão de formas alternativas, a exemplo do desenvolvimento local que, valorizando o município, constitui uma via mais coerente para o envolvimento de uma comunidade com o turismo.
            A concepção de estratégias de desenvolvimento local pelo turismo encontra-se no nível de micro-regiões, de pequenos territórios, de cidades pequenas e médias ou mesmo de vilas e povoados onde são fortemente sentidas as mediocridades de condições de vida, traduzidas no êxodo e na pobreza. (Rodrigues, 1997).
            Benevides (1996) postula que o turismo com base no desenvolvimento local se contrapõe ao modelo dominante em vários países como o Brasil, conectado com o processo de globalização e que acarreta tendências ambientais degradantes. Segundo esse autor, a manutenção da identidade cultural dos lugares constitui uma via mais democrática de desenvolvimento e que acarreta tendências ambientais menos degradantes, Ressalte-se, a manutenção da identidade cultural dos lugares tendo na comunidade os atores do processo, favorece o estabelecimento de pequenas operações com baixos efeitos impactantes de investimentos.
            No mesmo sentido, Portuguez (1999) ao tratar do turismo e desenvolvimento local estudando o turismo rural, comenta que os modelos tradicionais de acumulação não se incomodam com os custos sociais e ambientais. Nesse sentido, destaca que o turismo não necessariamente, rompe com o ideal de acumular rendimentos, mas, considera, a conservação ambiental, a salvaguarda do patrimônio e a manutenção das peculiaridades culturais de cada coletividade.
             Para Cavaco (1996) o turismo ligado ao desenvolvimento local se assenta na revitalização e na diversificação da economia. Possui plena capacidade de fixar e atrair a população com êxito no sentido de assegurar melhores condições de vida. Apresenta, também, considerável êxito na valorização da produção agrícola além de favorecer os planos de desenvolvimento do artesanato e de outras atividades ligadas ao turismo e à cultura, a exemplo das feiras e das festas tradicionais e populares.
            Além disso, tais modelos têm, por vezes, gerado efeitos negativos do próprio crescimento, a exemplo da externalização e socialização dos custos ambientais, como o uso intensivo dos recursos naturais que levam aos limiares da sustentabilidade, ocasionando o desemprego, a violência e a pobreza Portanto, é sugerido por Cavaco formas alternativas de turismo que possam estimular a implantação de pequenas e médias empresas e manutenção de unidades artesanais de produção de bens e serviços.
           Ao lado de tudo isso, particularmente, são lembrados dois fatos, resultantes das grandes transformações deste final de século e que sobremaneira refletem na valorização do potencial dos lugares: o retomo à natureza e a revalorização dos aspectos culturais.
            A revolução industrial estimulou o crescimento das cidades em todo o mundo. Os grandes complexos urbanos industriais significaram uma verdadeira prisão para os homens. Como conseqüência, resultaram crises que conduziram a situações de fadigas, como o estresse urbano. Como resultado, as pessoas se deslocam à procura da liberdade, de lugares onde possam usufruir um espaço natural com paisagens menos modificadas. Tal situação vem proporcionar a valorização das segundas residências e, especialmente, do turismo orientado pela natureza. A natureza oferece locais para contemplação, para aventura, para esportes ao ar livre e para as pesquisas.
             De acordo com XAVIER (1999), estimou-se que o turismo orientado pela natureza envolveu cerca de 38 milhões de pessoas, representando 10% do fluxo mundial, em 1990. No ano 2000 esse segmento passou a envolver mais de 240 milhões de pessoas e a representar 40% do fluxo mundial. Na escala de valores financeiros, passou de 16 milhões em 1990 para 120 milhões de dólares em 2000.
             O outro aspecto, que se registra é o redespertar dos valores culturais, valorizando as manifestações antropológicas, religiosas, artísticas, folclóricas, artesanais e históricas
No caso brasileiro, apesar da preocupação pelo patrimônio cultural datar-se da década de trinta, portanto mais antiga que a preocupação com preservação do meio ambiente natural, que se manifestou na década de setenta, não há dúvidas de que nessas últimas décadas o turismo cultural passou a receber uma mais profunda valorização.
            Além de todas essas considerações que se traduzem no valor do turismo local, surge outro aspecto de consideração extremamente relevante: o envolvimento da comunidade. A comunidade local tem oportunidades de envolvimento em todas as fases do processo de implementação do turismo, bem como na tomada de decisão sobre o planejamento. Portanto, considera-se de fundamental importância a participação comunitária nos processos de inventário e no planejamento, a nível municipal.








Um comentário:

  1. Muitos teóricos tem afirmado a importância e o sucesso de investimento nesse campo do turismo no brasil, cada vez mais basesndo-se na tendência histórica e ressaltando seu valor através da busca pela qualidade de vida do mundo contemporâneo.

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