Entrevistado: José Geraldo Fernandes de Araújo (Pós Doutorado na Universidade de Córdoba -Espanha, na area de Turismo e Desenvolvimento Rural)
Em que consiste, basicamente, a atividade de agroturismo ou turismo rural?
José Geraldo - Um dos problemas que encontramos ao estudar e, ou, descrever o que seja turismo rural está no campo das definições, em face das ambigüidades expressas pelas palavras turismo e rural. Contudo, podemos, sem nos preocupar com esses detalhes, dizer que o turismo rural consiste num turismo concebido pelos habitantes do país, ou seja, um turismo que respeita a sua identidade, dado que representa a zona rural em todas as formas. Pode ser entendido como aquelas atividades que, na maior parte, se identificam com as especificidades da vida rural, seu habitat, sua economia e sua cultura. É o turismo que se realiza no espaço rural – é a soma de ecoturismo e do turismo verde, cultural, esportivo, agroturismo e turismo de aventura.
Assim, o turismo rural engloba todas aquelas modalidades de turismo anteriormente descritas, as quais não se excluem, mas se complementam, como círculos concêntricos, onde cada um deles se integra ao precedente, sem perder de vista que essas atividades devem, sempre, propiciar aos agricultores e à região benefícios sociais e econômicos. Para mim, turismo rural é tudo o que ocorre no meio rural, em oposição ao turismo convencional, com relação ao aproveitamento do turismo. Consiste, entre outras, na “comercialização” das seguintes atividades/ produtos: caminhadas, visitas a parentes/ amigos, sítios históricos, visitas a paisagens cênicas/ fauna/ flora, gastronomia regional, artesanato e produtos agro-industriais, etc. prefiro muito mais o termo turismo em áreas rurais, do que a denominação turismo rural, porque aquele engloba não apenas as atividades de serviços não-agrícolas que vêm se desenvolvendo no interior das propriedades rurais, tradicionalmente denominadas de turismo rural ou agroturismo, mas também aquelas atividades de lazer realizadas no meio rural, denominadas de turismo ecológico ou ecoturismo, ou outra modalidade qualquer, com o objetivo de trazer benefícios sociais e econômicos para os agricultores e para a região.
Desde quando e em que extensão esse tipo de atividade vem sendo implementada em países desenvolvidos?
José Geraldo - Foi a partir da Segunda Guerra Mundial, na França, e a partir da década de sessenta, na Espanha, que tiveram início as primeiras atividades turísticas rurais. A partir daí, os demais países europeus, à medida que perceberam a importância econômica dessa atividade, aderiram a ela. Por exemplo, Portugal iniciou-se nessa atividade em 1979; Bélgica, em 1970; Grécia, em 1983; Itália, em 1965, dentre outros.
Com relação aos Estados Unidos, essa atividade nasceu, desde época remota, da necessidade de hospedar quem viajava por regiões despovoadas e de paisagens atraentes, porém carentes de uma estrutura de serviços. Assim, os americanos recolhiam em seus ranchos os caçadores e pescadores que chegavam à região durante a temporada desses esportes. Com o decorrer do tempo, ao constatarem que o manejo racional dos serviços poderia significar ingressos adicionais, procuraram aperfeiçoar a oferta, agregando uma série de outros serviços. Atualmente, existem nos Estados unidos, segundo a bibliografia, mais de duzentos e cinqüenta estabelecimentos que oferecem essa modalidade de hospedagem, com as mais diferentes denominações.
Qual o potencial do turismo rural no Brasil? Existe demanda para esse tipo de atividade em nosso país?
José Geraldo - Esse potencial, a meu ver, é bastante promissor, principalmente quando se sabe que a atividade agrícola tradicional vem perdendo prestígio em detrimento de outras atividades, à media que decisões pertinentes a ela são tomadas por pessoas ou por organizações pouco comprometidas com sua causa. Como a maioria desses produtores é composta de pequenos e médios, responsável pela produção de grande parte dos alimentos básicos da população brasileira, vejo a implementação do turismo rural como uma alternativa a mais, com alta probabilidade de melhorar a situação que estão atravessando, tendo em vista que casos semelhantes em outros países foram resolvidos com a introdução do turismo nas propriedades com problemas semelhantes, razão por que posso afirmar que existe demanda dessa atividade. Por outro lado, basta observar, sem usar nenhum indicador mais complexo, mas somente uma situação que aconteceu mais próxima de nós, o número de agricultores que, na última Semana do Fazendeiro, realizada pela UFV no mês de outubro próximo passado, demandou o Curso de Turismo Rural, oferecido naquela oportunidade, em relação ao número de participantes de outros cursos.
Entretanto, outras justificativas podem comprovar a questão. A primeira está relacionada com os preços dos alojamentos, que são relativamente menores, quando comparados com os das hospedagens da hotelaria convencional; a segunda é o fato de essa atividade se realizar, majoritariamente, em território nacional em regiões mais próximas, o que significa maiores oportunidades de freqüentá-los em datas fora das férias tradicionais; a terceira é o elevado número de competições e práticas esportivas, festas recreativas, entre outras, que vêm tendo como base física o meio rural, fugindo das grandes concentrações; a quarta justificativa, finalmente, está relacionada com um amplo fenômeno de conscientização das sociedades avançadas e altamente urbanizadas deste final de século XX. Além disso, o turismo tem papel fundamental na gestão do território, dada sua capacidade de estimular o aproveitamento do potencial de desenvolvimento endógeno de determinado local, tomando como base “a velha e correta idéia de entender os agricultores também como criadores de paisagens”, razão por que o desenvolvimento do mundo rural terá que valorizar, muito mais que no presente, a promoção das atividades distintas das agrárias.
Quais as principais vantagens e desvantagens que poderiam advir da expansão do turismo rural em nosso meio?
José Geraldo - Como qualquer atividade, o turismo pode apresentar pontos positivos como negativos para a sociedade como um todo, especificamente para o meio rural, se determinados “fundamentos” sócio-culturais e ambientais não forem observados. Daí a importância de se desenvolver o conceito de turismo sustentável, visto como a perfeita triangulação entre as destinações, os turistas e os prestadores de facilidades para os visitantes. O turismo sustentável procura adequar os interesses de cada um dos parceiros do triângulo, minimizando as tensões e buscando um desenvolvimento a longo prazo, por meio do equilíbrio entre o crescimento econômico e a necessidade de conservação do meio ambiente. Para tanto, deve-se preocupar em proteger:
a)cultura e as características das comunidades receptoras;
b) as paisagens e os “habitat”,
c) a economia rural;
d) o crescimento a longo prazo da atividade turística, que estimulará a qualidade da experiência vivencial buscada pelos visitantes;
e) a compreensão, a liderança e a visão de longo prazo entre os empreendedores.
Para que o turismo possa ser considerado como fator de desenvolvimento, este deve ser contemplado com um plano estratégico regional e, ou, local. Essa estratégia, para ser bem sucedida, necessita, indispensavelmente, do apoio e da participação efetiva da comunidade loca; caso contrário, a estratégia ou qualquer política de desenvolvimento não será bem sucedida.
Especificamente, como principais vantagens advindas da implementação dessa atividade, conclui-se que o turismo rural:
a) constitui fonte de renda via impostos e divisas para as localidades nas quais ocorre;
b) gera mão-de-obra local, fazendo reverter, em certos casos, o processo de êxodo rural de jovens, que não precisam mais migrar para as grandes cidades em busca de emprego;
c) estimula uma série de atividades produtivas inerentes ao contexto rural, tais como produtos agrícolas, construções e serviços públicos, transportes e outros;
d) “capitaliza” o meio rural, agregando valor à produção agrícola ou pecuária, por intermédio do desenvolvimento das pequenas e médias indústrias e da potencialização de produtos de qualidade típicos de cada zona.
Como externalidades negativas que poderão ocorrer com sua implantação, caso aquelas preocupações acima relatadas não sejam levadas em consideração, podem-se citar:
a) os impactos ambientais graves decorrentes da proliferação desordenada de construções;
b) o abandono, ainda que não completo, das atividades agropecuárias;
c) a excessiva terceirização da atividade econômica e a grande dependência da atividade turística, sem que se desenvolvam atividades alternativas para a população rural, dentre outros.
Quais os fatores mais restritivos à rápida expansão do turismo rural e como poderiam ser superados?
José Geraldo - A meu ver, falta ao país uma política integrada de planejamento do turismo rural. O que se tem na área turística em termos de política, salvo melhor juízo, apresenta-se tímido! É inconcebível que o Brasil trate uma atividade, que tirou, por exemplo, a Espanha de uma situação de atraso, como mero “apêndice” de um programa de um ministério. É no turismo e, especificamente, no turismo rural que devemos ancorar grande parte das nossas expectativas de nosso crescimento sócio-econômico. Considerando os recursos naturais que temos, o calendário de festas que realizamos, a diversidade cultural que integramos e o fato de sermos um povo novo, como poderemos ter uma conta turismo tão inexpressiva? Se a atividade turística estimula o crescimento de países bem menos ricos do ponto de vista da diversidade cultural e muito menos dotados de grandes sítios naturais que o Brasil, por que não fomentarmos um setor que gera dez vezes mais empregos por real investido, que não polui e que melhor distribui renda? Precisamos de uma política integrada de investimento e planejamento do turismo rural. Em outras palavras, uma visão empreendedora dos nossos dirigentes.
Quais as condições mínimas necessárias para o sucesso desse tipo de atividade?
José Geraldo - Como acabamos de conversar, creio que além dessas condições explicitadas, precisamos considerar ainda aquelas relacionadas com as especificações técnicas normais a qualquer projeto, como estudo da realidade, viabilidade econômica, etc., ou seja, deve-se iniciar a atividade com base em um planejamento bem estruturado, para saber para onde (como, quando) ir, além da capacitação de seus empregados para realizar essa nova atividade com o profissionalismo que ela exige.
Gostaria, se me permite, antes de terminarmos essa conversa, de dizer que o turismo rural não pode ser considerado uma panacéia, não pode ser ignorado como alternativa aceleradora para implementar o desenvolvimento rural, pois acreditamos, como já disse Yruela, que “não há territórios condenados, mas apenas territórios sem projetos”.
José Geraldo - é ex-professor da UFV, Engenheiro Agronomo, com Mestrado em Economia Rural (UFV) e Doutorado em Ciências da Comunicação-USP e Pós Doutorado na Universidade de Córdoba -Espanha, na area de Turismo e Desenvolvimento Rural.Atualmente, é professor da UNA - BH.
José Geraldo - Um dos problemas que encontramos ao estudar e, ou, descrever o que seja turismo rural está no campo das definições, em face das ambigüidades expressas pelas palavras turismo e rural. Contudo, podemos, sem nos preocupar com esses detalhes, dizer que o turismo rural consiste num turismo concebido pelos habitantes do país, ou seja, um turismo que respeita a sua identidade, dado que representa a zona rural em todas as formas. Pode ser entendido como aquelas atividades que, na maior parte, se identificam com as especificidades da vida rural, seu habitat, sua economia e sua cultura. É o turismo que se realiza no espaço rural – é a soma de ecoturismo e do turismo verde, cultural, esportivo, agroturismo e turismo de aventura.
Assim, o turismo rural engloba todas aquelas modalidades de turismo anteriormente descritas, as quais não se excluem, mas se complementam, como círculos concêntricos, onde cada um deles se integra ao precedente, sem perder de vista que essas atividades devem, sempre, propiciar aos agricultores e à região benefícios sociais e econômicos. Para mim, turismo rural é tudo o que ocorre no meio rural, em oposição ao turismo convencional, com relação ao aproveitamento do turismo. Consiste, entre outras, na “comercialização” das seguintes atividades/ produtos: caminhadas, visitas a parentes/ amigos, sítios históricos, visitas a paisagens cênicas/ fauna/ flora, gastronomia regional, artesanato e produtos agro-industriais, etc. prefiro muito mais o termo turismo em áreas rurais, do que a denominação turismo rural, porque aquele engloba não apenas as atividades de serviços não-agrícolas que vêm se desenvolvendo no interior das propriedades rurais, tradicionalmente denominadas de turismo rural ou agroturismo, mas também aquelas atividades de lazer realizadas no meio rural, denominadas de turismo ecológico ou ecoturismo, ou outra modalidade qualquer, com o objetivo de trazer benefícios sociais e econômicos para os agricultores e para a região.
Desde quando e em que extensão esse tipo de atividade vem sendo implementada em países desenvolvidos?
José Geraldo - Foi a partir da Segunda Guerra Mundial, na França, e a partir da década de sessenta, na Espanha, que tiveram início as primeiras atividades turísticas rurais. A partir daí, os demais países europeus, à medida que perceberam a importância econômica dessa atividade, aderiram a ela. Por exemplo, Portugal iniciou-se nessa atividade em 1979; Bélgica, em 1970; Grécia, em 1983; Itália, em 1965, dentre outros.
Com relação aos Estados Unidos, essa atividade nasceu, desde época remota, da necessidade de hospedar quem viajava por regiões despovoadas e de paisagens atraentes, porém carentes de uma estrutura de serviços. Assim, os americanos recolhiam em seus ranchos os caçadores e pescadores que chegavam à região durante a temporada desses esportes. Com o decorrer do tempo, ao constatarem que o manejo racional dos serviços poderia significar ingressos adicionais, procuraram aperfeiçoar a oferta, agregando uma série de outros serviços. Atualmente, existem nos Estados unidos, segundo a bibliografia, mais de duzentos e cinqüenta estabelecimentos que oferecem essa modalidade de hospedagem, com as mais diferentes denominações.
Qual o potencial do turismo rural no Brasil? Existe demanda para esse tipo de atividade em nosso país?
José Geraldo - Esse potencial, a meu ver, é bastante promissor, principalmente quando se sabe que a atividade agrícola tradicional vem perdendo prestígio em detrimento de outras atividades, à media que decisões pertinentes a ela são tomadas por pessoas ou por organizações pouco comprometidas com sua causa. Como a maioria desses produtores é composta de pequenos e médios, responsável pela produção de grande parte dos alimentos básicos da população brasileira, vejo a implementação do turismo rural como uma alternativa a mais, com alta probabilidade de melhorar a situação que estão atravessando, tendo em vista que casos semelhantes em outros países foram resolvidos com a introdução do turismo nas propriedades com problemas semelhantes, razão por que posso afirmar que existe demanda dessa atividade. Por outro lado, basta observar, sem usar nenhum indicador mais complexo, mas somente uma situação que aconteceu mais próxima de nós, o número de agricultores que, na última Semana do Fazendeiro, realizada pela UFV no mês de outubro próximo passado, demandou o Curso de Turismo Rural, oferecido naquela oportunidade, em relação ao número de participantes de outros cursos.
Entretanto, outras justificativas podem comprovar a questão. A primeira está relacionada com os preços dos alojamentos, que são relativamente menores, quando comparados com os das hospedagens da hotelaria convencional; a segunda é o fato de essa atividade se realizar, majoritariamente, em território nacional em regiões mais próximas, o que significa maiores oportunidades de freqüentá-los em datas fora das férias tradicionais; a terceira é o elevado número de competições e práticas esportivas, festas recreativas, entre outras, que vêm tendo como base física o meio rural, fugindo das grandes concentrações; a quarta justificativa, finalmente, está relacionada com um amplo fenômeno de conscientização das sociedades avançadas e altamente urbanizadas deste final de século XX. Além disso, o turismo tem papel fundamental na gestão do território, dada sua capacidade de estimular o aproveitamento do potencial de desenvolvimento endógeno de determinado local, tomando como base “a velha e correta idéia de entender os agricultores também como criadores de paisagens”, razão por que o desenvolvimento do mundo rural terá que valorizar, muito mais que no presente, a promoção das atividades distintas das agrárias.
Quais as principais vantagens e desvantagens que poderiam advir da expansão do turismo rural em nosso meio?
José Geraldo - Como qualquer atividade, o turismo pode apresentar pontos positivos como negativos para a sociedade como um todo, especificamente para o meio rural, se determinados “fundamentos” sócio-culturais e ambientais não forem observados. Daí a importância de se desenvolver o conceito de turismo sustentável, visto como a perfeita triangulação entre as destinações, os turistas e os prestadores de facilidades para os visitantes. O turismo sustentável procura adequar os interesses de cada um dos parceiros do triângulo, minimizando as tensões e buscando um desenvolvimento a longo prazo, por meio do equilíbrio entre o crescimento econômico e a necessidade de conservação do meio ambiente. Para tanto, deve-se preocupar em proteger:
a)cultura e as características das comunidades receptoras;
b) as paisagens e os “habitat”,
c) a economia rural;
d) o crescimento a longo prazo da atividade turística, que estimulará a qualidade da experiência vivencial buscada pelos visitantes;
e) a compreensão, a liderança e a visão de longo prazo entre os empreendedores.
Para que o turismo possa ser considerado como fator de desenvolvimento, este deve ser contemplado com um plano estratégico regional e, ou, local. Essa estratégia, para ser bem sucedida, necessita, indispensavelmente, do apoio e da participação efetiva da comunidade loca; caso contrário, a estratégia ou qualquer política de desenvolvimento não será bem sucedida.
Especificamente, como principais vantagens advindas da implementação dessa atividade, conclui-se que o turismo rural:
a) constitui fonte de renda via impostos e divisas para as localidades nas quais ocorre;
b) gera mão-de-obra local, fazendo reverter, em certos casos, o processo de êxodo rural de jovens, que não precisam mais migrar para as grandes cidades em busca de emprego;
c) estimula uma série de atividades produtivas inerentes ao contexto rural, tais como produtos agrícolas, construções e serviços públicos, transportes e outros;
d) “capitaliza” o meio rural, agregando valor à produção agrícola ou pecuária, por intermédio do desenvolvimento das pequenas e médias indústrias e da potencialização de produtos de qualidade típicos de cada zona.
Como externalidades negativas que poderão ocorrer com sua implantação, caso aquelas preocupações acima relatadas não sejam levadas em consideração, podem-se citar:
a) os impactos ambientais graves decorrentes da proliferação desordenada de construções;
b) o abandono, ainda que não completo, das atividades agropecuárias;
c) a excessiva terceirização da atividade econômica e a grande dependência da atividade turística, sem que se desenvolvam atividades alternativas para a população rural, dentre outros.
Quais os fatores mais restritivos à rápida expansão do turismo rural e como poderiam ser superados?
José Geraldo - A meu ver, falta ao país uma política integrada de planejamento do turismo rural. O que se tem na área turística em termos de política, salvo melhor juízo, apresenta-se tímido! É inconcebível que o Brasil trate uma atividade, que tirou, por exemplo, a Espanha de uma situação de atraso, como mero “apêndice” de um programa de um ministério. É no turismo e, especificamente, no turismo rural que devemos ancorar grande parte das nossas expectativas de nosso crescimento sócio-econômico. Considerando os recursos naturais que temos, o calendário de festas que realizamos, a diversidade cultural que integramos e o fato de sermos um povo novo, como poderemos ter uma conta turismo tão inexpressiva? Se a atividade turística estimula o crescimento de países bem menos ricos do ponto de vista da diversidade cultural e muito menos dotados de grandes sítios naturais que o Brasil, por que não fomentarmos um setor que gera dez vezes mais empregos por real investido, que não polui e que melhor distribui renda? Precisamos de uma política integrada de investimento e planejamento do turismo rural. Em outras palavras, uma visão empreendedora dos nossos dirigentes.
Quais as condições mínimas necessárias para o sucesso desse tipo de atividade?
José Geraldo - Como acabamos de conversar, creio que além dessas condições explicitadas, precisamos considerar ainda aquelas relacionadas com as especificações técnicas normais a qualquer projeto, como estudo da realidade, viabilidade econômica, etc., ou seja, deve-se iniciar a atividade com base em um planejamento bem estruturado, para saber para onde (como, quando) ir, além da capacitação de seus empregados para realizar essa nova atividade com o profissionalismo que ela exige.
Gostaria, se me permite, antes de terminarmos essa conversa, de dizer que o turismo rural não pode ser considerado uma panacéia, não pode ser ignorado como alternativa aceleradora para implementar o desenvolvimento rural, pois acreditamos, como já disse Yruela, que “não há territórios condenados, mas apenas territórios sem projetos”.
José Geraldo - é ex-professor da UFV, Engenheiro Agronomo, com Mestrado em Economia Rural (UFV) e Doutorado em Ciências da Comunicação-USP e Pós Doutorado na Universidade de Córdoba -Espanha, na area de Turismo e Desenvolvimento Rural.Atualmente, é professor da UNA - BH.

A entrevista deixa claro mais uma vez os principais conceitos do turismo rural e confirma o potencial brasileiro para tal atividade faltando apenas planejamento público e incentivos governamentais.
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