sábado, 28 de maio de 2011

Série Obra Análoga: Expominas

Fachada de um dos pavilhões de exposições. O anexo incorporado à lateral 
dos três blocos é um volume limpo, essencial

Projetado na segunda metade da década de 1990, o Centro de Exposições Expominas - que alguns mineiros apelidaram de Uainhembi, em referência brincalhona ao conhecido conjunto expositivo paulistano - foi concluído no primeiro semestre de 2006. O término ocorreu com a implantação de mais dois pavilhões para mostras e do espaço que os conecta à arena de eventos. Mas não se trata de arquitetura datada: a edificação exibe-se em plena forma, tecnicamente avançada e esteticamente contemporânea.

O programa é
complexo tanto pela dimensão - quase 72 mil metros quadrados de área - como pela demanda por uma flexibilidade capaz de atender exposições e eventos de diversas naturezas, incorporando a logística necessária a eles. Penna solucionou-o com traços diretos e uma objetividade que permitiria descrever o conjunto, sucintamente, como três quadrados e um círculo. Não há enfeites, não há excessos. As áreas agregadas não são apêndices, mas instalações que fornecem a essencial infra-estrutura ao centro expositivo.

Implantado no parque da Gameleira, o Expominas tem seu acesso nobre voltado para a avenida Amazonas. Os quatro blocos
construídos se distribuem em lote de 185 mil metros quadrados e foram posicionados na fração do terreno mais próxima da linha férrea - uma passarela de 186 metros, em estrutura metálica, faz a ligação com a estação Gameleira do metrô. As edificações possuem estética industrial, com coberturas metálicas em vãos de 25 metros e fechamentos com telhas termoacústicas do mesmo material. “É uma imagem tecnológica, vibrante, contemporânea e em harmonia volumétrica com os edifícios existentes”, avalia o autor.
 
Encontro das laterais de um dos blocos do complexo expositivo, marcado pela estética industrial

Vista lateral dos pavilhões em direção ao hall de acesso e ao portal (à direita)


 Rampas que partem do portal conduzem aos diferentes pavimentos do hall nobre

Penna afirma que, no projeto, procurou fazer com que tudo contribuísse para gerar e estimular um clima de festa e de amplidão. Nesse sentido, as soluções de arquitetura funcionam a partir do acesso nobre: um portal de 14 metros de altura, que também é um castelo d'água, assinala o eixo principal dos percursos e destaca o caráter grandioso do conjunto. “A visão para quem chega da avenida Amazonas é monumental e alegre”, observa o arquiteto. “As clarabóias de iluminação e de ventilação dos pavilhões, em ritmo, atraem o olhar para o corpo principal do edifício e fazem o jogo lúdico das formas.”

A versatilidade
de uso é uma das principais características do Expominas. Os três pavilhões, com estrutura metálica, têm 75 metros de vão livre e pés-direitos de 17,50 metros. Sua modulação permite diferentes arranjos, em que podem ser montados estandes de cinco metros de profundidade, separados por ruas internas com largura entre três e cinco metros. Cada um dos blocos dispõe de sanitários, lanchonetes e salas para a administração. Essa independência permite a simultaneidade de ocorrência, montagem e desinstalação de eventos. Em acontecimentos de maior porte, os pavilhões podem ser interligados pela abertura de grandes portas acústicas corrediças.

A galeria de acesso
ao conjunto tem a forma de varanda e foi projetada com 15 metros de vão. Essa dimensão permite que o local receba produtos distintos daqueles que são objeto das feiras mas que, por alguma razão, podem se beneficiar dos clientes atraídos pelo evento. Junto à galeria/varanda, mas em cota inferior, ficam os auditóriose as salas de reuniões de apoio às exposições. Essas instalações dispõem de painéis divisórios acústicos que propiciam a montagem de espaços de acordo com as necessidades. São dotadas de sistemas eletrônicos de tradução simultânea, equipamentos de áudio, vídeo e luminotecnia.

Os
subsolos dos pavilhões foram destinados às operações de carga e descarga, além de acomodar contêineres, material de carpintaria, serralheria e reunir espaços para artes gráficas e depósitos dos montadores. Os acessos externos são facilmente identificáveis, o que contribui para a independência da imagem institucional de cada evento. 


A flexibilidade é uma das qualidades do espaço, capaz de receber 
exposições dos mais diferentes temas e produtos


Nas laterais dos pavilhões foram implantadas as instalações que 
fornecem infra-estrutura para os eventos


Os pavilhões permitem a montagem de estandes com até cinco metros de 
profundidade, separados por ruas com larguras variáveis

No auditório, que comporta até 600 pessoas, a iluminação procura criar clima acolhedor





“O resultado é um conjunto urbanísticoarquitetônico digno e eficiente, que se harmoniza com a preservação dos edifícios históricos do parque”, avalia Penna. “Ele está dentro de modernos conceitos de revitalização urbana para configurar um marco da vocação mineira como pólo nacional de exposições e eventos.” Deve ter razão o autor, pois, na inauguração do complexo, o governador mineiro Aécio Neves foi também monumental ao qualificar o Expominas: “É o mais moderno centro de convenções do país e, talvez, da América do Sul”.




 

Um comentário:

  1. Um grande espaço que proporciona as mais variadas utilizações, desde formaturas à grandes feiras e shows. O conceito de multifuncionalidade que usarei no desenvolvimento de meu projeto.

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