Segundo o diretor da Coração Eucarístico Netimóveis, Eurico Santos Neto, os imóveis que atendem ao público universitário são os apartamentos sem área de lazer, para que o condomínio fique mais barato, sem garagem e que permitam que o estudante possa ir a pé para a faculdade. "A exigência é por bairros próximos ao local onde estudam. O imóvel precisa oferecer praticidade, pois muitos estão saindo da casa dos pais pela primeira vez e, justamente por isso, um apartamento pequeno atende muito bem esse perfil de locatário", disse.
De acordo com ele, o preço desse tipo de imóvel varia entre R$ 800 e R$ 1.200, de acordo com as características de cada apartamento. Segundo o diretor, a maioria dos imóveis é alugado em nome dos pais, já que os estudantes não possuem os requisitos para que um contrato seja estabelecido. "O contrato exige renda fixa e fiadores e para a maior parte dos estudantes ainda não é possível apresentar esse tipo de exigência. Por isso, os pais fazem o contrato de locação e muitas vezes o apartamento é ocupado por mais de um membro da família, dois irmãos ou primos", conta.
Condomínios dificultam aluguel para estudantes
Depois da dificuldade para conseguir vaga em uma boa universidade, estudantes ainda têm que enfrentar uma maratona para alugar apartamento para moradia. A união de jovens para dividirem as despesas de moradia é conhecida como república estudantil. Famosas por promoverem festas e não possuírem muitas regras, as repúblicas são mal vistas por muitos síndicos e moradores de condomínios residenciais. Muitos prédios têm criado cláusulas no regulamento condominial que proíbem a locação dos apartamentos para repúblicas de estudantes. De acordo com o diretor da Coração Eucarístico Netimóveis, Eurico Santos Neto, quando o condomínio não permite repúblicas, a imobiliária acata em respeito, mesmo não havendo legislação que proíba. "Não achamos válido criar problemas aos condomínios e por isso respeitamos. Mas, como há dificuldade em caracterizar república, pelo fato de alguns estudantes serem primos ou irmãos, muitos casos acabam acontecendo", justifica.
O estudante de química Thiago Romano, 21, teve dificuldades para alugar o apartamento para morar com três amigos. Os quatro são de Sete Lagoas, na região Central do Estado, e vieram para a capital para cursar a universidade. No entanto, quando falavam na imobiliária que o aluguel era para estudantes, o contrato era inviabilizado. "Nenhuma imobiliária aceitou alugar o apartamento para a gente. Tivemos que procurar muito e, mesmo assim, só conseguimos alugar porque um amigo da família tem um apartamento e aceitou locar para nós", afirma. Síndica de um prédio no bairro Coração Eucarístico, na região Noroeste de Belo Horizonte, Vivian Castro diz que já teve muitos problemas com estudantes e por isso o condomínio vetou o aluguel para eles. "Na maioria das vezes, os jovens são desregrados e longe da presença dos pais acabam dando festas e provocando muitos transtornos. Houve um caso aqui no prédio em que moravam três rapazes e tinha festa todo dia. Os vizinhos fizeram um abaixo-assinado e conseguimos retirar os moradores. Depois disso, a opção foi pela proibição", diz.
Já o estudante de veterinária Guilherme Fernandes, 19, não teve problemas para alugar o apartamento que mora com dois amigos. "Na imobiliária que procuramos, informamos que o apartamento seria ocupado por três estudantes. Fizemos o contrato no nome do pai de um dos moradores, por causa das exigências de renda, e vivemos pacificamente com os vizinhos", garante. O estudante acrescenta que o segredo para a boa convivência é o respeito pelas normas e pelos outros moradores. "Já fizemos festas no apartamento, mas nunca ultrapassamos o horário de 22h com música alta ou conversa em tom de voz elevado. Acredito que se a pessoa for educada, não haverá problemas, mesmo que o apartamento seja dividido por muitos estudantes. É tudo uma questão de educação", afirma.
O diretor da Coração Eucarístico Netimóveis, Eurico Santos Neto, acredita que exista um pouco de implicância com os estudantes e que as normas do condomínio podem ser quebradas por qualquer morador. "O que observamos é que existem síndicos que estão completamente fechados para a formação de repúblicas. Já aconteceu de alugarmos um apartamento para dois jovens e o síndico nos procurar reclamando. Informamos ao pai do estudante, responsável pelo aluguel, e conseguimos outro apartamento para os dois. Nesse segundo imóvel, não houve nenhum tipo de reclamação e os jovens são bem quistos no condomínio", conta.
Fiador com imóvel quitado na capital pode dificultar o contrato
Um dos grandes problemas para quem aluga é conseguir um fiador com imóvel quitado na cidade onde o imóvel está sendo locado. De acordo com o corretor de imóveis Lucas Lisboa, a exigência é feita pela maioria das imobiliárias. "Ter um fiador com imóvel quitado é uma garantia para quem está alugando um imóvel. Mesmo com outras opções, o fiador é sempre desejado e muitos contratos podem cair por causa disso", disse. Segundo ele, uma das opções é o seguro-fiança, que custa cerca de um mês e meio o valor do aluguel. "O seguro-fiança é previsto pela Lei do Inquilinato e substitui a figura do fiador na contratação de aluguéis de imóveis. Ele garante ao proprietário o recebimento das mensalidades", explica.
Ainda em fase de testes e implantação, o Cartão do Aluguel, produto da Caixa Econômica Federal, é um instrumento que poderá substituir o fiador. O Cartão Aluguel funciona de maneira semelhante ao cartão de crédito, e poderá garantir até 12 meses de aluguel do imóvel. O inquilino pagará uma taxa de anuidade de R$ 96 e a Tarifa de Manutenção de Aluguel (TMA) de 6,67%, cobradas junto com a fatura do cartão. Caso o aluguel não seja pago em dia pelo inquilino, serão cobrados 10,02% de juros e a imobiliária será avisada para que tome as providências cabíveis.
"A questão do fiador já mostrou que é um problema para o locatário e para quem aceitar ser fiador de um imóvel. Já vimos relações de amizade terminarem por causa de uma dívida que não foi quitada. Se puder substituir a figura do fiador, melhor", aconselha.

A alta procura de imóveis aquece o mercado e deixa evidente a falta de unidades destinadas para esse público. Novos cursos são oferecidos a todo momento espalhados por toda capital e a dispoibilidade de unidades não acompanha tal crescimento. A questão do fiador e do pré-conceito a respeito do comportamento dos estudantes, evidenciam a necessidade de novas políticas e novas tipologias de empreendimentos.
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