sexta-feira, 4 de março de 2011

Expansão imobiliária transforma as cidades brasileiras

Quando o impacto no trânsito é grande, uma lei municipal determina que as construtoras deem uma contrapartida.

A indústria imobiliária tem apresentado números grandiosos aqui no Brasil, nos últimos anos. A multiplicação de lançamentos e de obras é visível nas cidades e os resultados dessa expansão também.
Só em São Paulo, foram construídos quase cem apartamentos por dia nos últimos cinco anos e falta espaço nas ruas pra tanta gente e tanto carro.
Congestionamento na garagem às 7h, na Zona Sul de São Paulo, e o morador respira fundo para o primeiro desafio do dia: “É terrível. Você já se prepara dentro do elevador. Você tem que sair com o espírito preparado, porque eu vou levar 15 minutos para sair da minha rua. Não é nada bom”, comenta o contador Fernando Mazzeo.
Uma foto tirada no início dos anos 80 mostra que ela é de uma das avenidas mais ricas da cidade. No centro da imagem, há um dos poucos prédios. Já nos anos 90, o mesmo endereço já havia mudado. Hoje, um edifício, quase desaparece, no meio das outras torres.
O arquiteto Carlos Bratke, que projetou a maioria dos prédios, diz que a iniciativa privada foi mais rápida do que o poder público: “o que acontece é que, infelizmente, o planejamento público é feito a reboque. Deixa acontecer o incêndio para depois apagar”.
Na Zona Leste, o corretor de imóveis Sílvio Gonçalves faz as contas. “Eu, a pé, consigo chegar ao mesmo tempo do que indo de automóvel”.
Em apenas cinco anos, foram construídos em São Paulo, 176 mil apartamentos. Em média, 96 ficam prontos por dia.
Morador de outro bairro tradicional, a Mooca, o administrador Ângelo Agarelli diz que a região mudou muito nos últimos cinco anos: “A Mooca, um bairro completamente tranquilo, você andava com facilidade. Hoje, já há uma dificuldade bastante grande, principalmente no horário de pico”.
Em uma foto da década de 40, eram os carroceiros que congestionavam a rua. Hoje, as antigas casas rapidamente estão dando lugar a prédios.
Quando o impacto no trânsito é grande, uma lei municipal determina que as construtoras deem uma contrapartida. A empresa responsável por uma obra está sendo obrigada a erguer um viaduto e alargar uma das principais vias de acesso da cidade. Tudo porque o empreendimento atrairá muitos veículos para a área.
“Não podemos impedir a implantação, a construção de um prédio nessas condições. Nós podemos é estipular medidas compensatórias”, afirmou o superintendente de planejamento da CET, Ricardo Laiza.

Um comentário:

  1. Planejamento é a chave da questão. Porque essas medidas são propostas após o caos estar instalado?
    A visão das administrações e profissionais não consegue ser tão visionária infelizmente. A impressão que se tem, na maioria dos casos, é que os planejamnetos são feito para 2 anos, isso é muito insuficiente para o desenvolvimento da economia.

    ResponderExcluir