As inaugurações realizadas pelas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), na Favela da Rocinha, concretizaram algumas das promessas feitas pelo ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em sua primeira visita a comunidade como Presidente, no dia 07 de abril de 2008.
“Nós estamos aqui no palanque, e na próxima vez que eu vier aqui, a gente não vai poder estar aqui neste palanque, por que aqui vai ser o hospital da Rocinha. será aqui, exatamente neste lugar”. Essa foi uma das promessas feitas pelo então presidente Lula, durante a visita de anúncio da inauguração das obras do PAC na Rocinha.
Faltando pouco para completar dois anos de sua primeira visita a Comunidade, O Chefe do Poder Executivo retornou a Rocinha para cumprir com a promessa. No dia 08 de março de 2010, Lula e o Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, acompanhados de outros políticos (querendo aparecer), adentraram a Favela para inaugurar a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e o Complexo Esportivo.
No mês de Junho, precisamente no dia 27, foi inaugurada a passarela projetada pelo arquiteto centenário, Oscar Niemeyer. Dessa vez a comunidade não foi prestigiada com a visita presidencial. A inauguração contou com a presença de Sérgio Cabral, Luiz Pezão e Michel Temer.
A partir de então, os funcionários do PAC promoveram uma verdadeira aceleração nas obras, para que fossem concluídas outras importantes construções na comunidade, antes que chegasse ao fim o mandato de Lula como Governo Federal.
No dia 21 de dezembro, moradores aguardavam mais uma visita ilustre do Presidente para inaugurações do conjunto habitacional e da nova Rua 4. Coitados, tiveram que se contentar com um discurso via internet das últimas inaugurações na comunidade realizadas por Lula, que já se despedia do cargo de Chefe do Estado.
Provavelmente, muitas pessoas duvidaram que Favelas como a Rocinha fossem, de fato, beneficiadas com as obras do PAC. Talvez muitos tenham se questionado se as promessas das obras não seriam apenas papo político. Mas o trabalho aconteceu e as promessas se cumpriram. Engraçado, hoje, é ouvir pessoas reclamando do desperdício de concreto com as curvas do arco da passarela. Eu, pessoalmente, não tenho nada contra. Acho que a comunidade merece. E Além do mais, é melhor saber que o dinheiro público foi gasto com um monumento, que traz referência positiva para a comunidade, do que descobrir que o nosso dinheiro foi aplicado em alguma conta na Suíça ou na cueca de algum político corrupto.
É claro que as obras concretizadas não são suficientes para mudar a realidade da Favela. Não é somente a estrutura física que vai restabelecer a dignidade do favelado. Mas, com toda certeza, representa um progresso político para as comunidades. Uma prova de que é possível uma gestão governamental que, também, prestigie a camada popular da sociedade.
E o que esperar e/ou exigir da nova Presidente, Dilma Rousseff?
Lula em sua gestão contemplou as comunidades com edificações, trabalhou a parte “concreta” do desenvolvimento social. Talvez, devemos esperar que Dilma trabalhe a parte “abstrata” desse mesmo desenvolvimento. Que assim como as Favelas precisam se desenvolver urbanamente, também, é necessário que se faça o investimento do recurso humano para que os moradores dessas comunidades cresçam socialmente. Instituições sem profissionais qualificados não geram benefícios. É preciso Profissionais suficientes e qualificados para atender a demanda e as necessidades das Favelas.
Espero que o progresso prometido não se limite apenas as construções. Espero, acima de tudo, que esse progresso seja o da desconstrução. Para que seja desconstruído o velho conceito político, que visa, unicamente, defender os interesses da classe dominante da sociedade.
Matéria escrita por Cleber Araujo (jornalista e morador da comunidade da Rocinha) no site www.vivafavela.com.br
Dois pontos que considero muito importantes quando se trata de favelas é vivenciar o ambiente e identificar a real necessidade dos moradores e incentivar também o crescimento pessoal.E uma rede de melhorias que precisam acontecer, melhorias isoladas não tem eficácia na comunidade, as obras precisam vir acompanhadas da educação dos moradores para que a manutenção e a boa utilização ocorram.
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