O macro setor da construção civil tem um papel sócio-econômico importante no Brasil, no entanto, é o menos desenvolvido e mais tradicional da indústria brasileira e mundial. Essa caracterização se deve ao fato de que até o final da década de 1970, a indústria da construção era financiada em grande parte pelo Estado, que não possuía nenhum programa de qualidade que incentivasse as empresas a investirem em tecnologia e consequentemente em especialização de mão-de-obra, outro fato que faz com que a boa parte das inovações na construção aconteçam a longo prazo.
Por esse tipo de cenário é que se tem o êxito da utilização do concreto armado no Brasil. Não por suas qualidades técnicas e plásticas, mas principalmente por ser um material com componentes abundantes, fáceis de serem encontrados e por isso mais baratos, além de poder contar com mão-de-obra artesanal, o que se torna perfeito para um país subdesenvolvido.
Analisando a questão de abundância de matéria prima, os produtos metalúrgicos, no Brasil também deveriam ser mais baratos, já que o subsolo brasileiro, principalmente o de Minas Gerais, é rico em minerais para essa produção. No entanto, a produção depende da siderurgia, que consequentemente depende de combustíveis fósseis, tais como o carvão e o petróleo, que precisam ser importados em larga escala e é esse fato que a produção onerosa.
O desenvolvimento da tecnolgia de pré-fabricados vem tornando esse sistema competitivo em vários segmentos. Os novos materiais empregados são os responsáveis por essa discreta revolução da construção há alguns anos nos países desenvolvidos e que já se faz presente também no Brasil. A última palavra no país em se tratando dos pré-fabricados é o GFRC, um microconcreto de alta resistência, constituído de cimento, areia silicosa, água, aditivos e fibras de vidro alcali-resistentes dispersas no produto. Uma das qualidades do GFRC é sua plasticidade, que propicia efeitos arquitetônicos de alto e baixo relevos, impossíveis de obter com outros materiais. Um painel pronto dessa forma, apresenta uma massa que é cerca de ¼ da habitual para um painel equivalente em concreto tradicional, proporcionando estruturas mais esbeltas e fundações mais econômicas, e um comportamento térmico e acústico muito superior. Outra qualidade é que o sistema sendo previsto ainda na fase de projeto permite o aproveitamento máximo dos seus benefícios, entre eles a leveza, a rapidez na colocação e a praticidade na execução das diversas instalações. Essa escolha interfere diretamente nos cálculos estruturais e nos projetos de hidráulica e elétrica, entre outros. Ou seja, todo o processo construtivo, do alicerce aos acabamentos, foi planejado levando em consideração o uso desse material. Apesar de excelente solução com relação ao peso próprio da peça e ao transporte, os painéis de GRFC têm um custo muito alto se comparados às placas tradicionais de concreto e apresentam um risco de variação de preço muito alto, pois alguns de seus componentes que conferem leveza são derivados do petróleo.
Vale lembrar que novas tecnologias não quer dizer apenas novos materiais. O aprimoramento de conceitos e técnicas também trazem grandes progressos, que não possuem somente razões financeiras mas também, ambientais. Embora a sustentabilidade esteja sendo muita discutida no Brasil, não se tem um produto desses debates, uma tecnologia capaz de evitar desperdícios energéticos e poluição no solo com resíduos. Porém já se pode fazer uma diferenciação da construção sustentável e da ecológica. Embora tenham o objetivo de gerarem habitações e edifícios que preservem o meio ambiente e de buscarem soluções locais para problemas por elas mesmas criados, a Construção Sustentável faz uso de eco-materiais e de soluções tecnológicas e inteligentes para promover o bom uso e a economia de recursos finitos (água e energia elétrica), a redução da poluição e a melhoria da qualidade do ar no ambiente interno e o conforto de seus usuários. A Construção Ecológica utiliza materiais naturais e produtos originados da reciclagem de resíduos gerados pelo seu próprio modo de vida e essa é a diferença para a construção sustentável que pode fazer a opção pela utilização ou não desses produtos, sendo muitas vezes utilizados ecoprodutos fabricados industrialmente, adquiridos prontos, com tecnologia em escala, atendendo a normas, legislação e demanda do mercado.
O edifício para ser considerado sustentável deve/deveria:
a) usar recursos naturais passivos e de design para promover conforto e integração na habitação;
b) usar materiais que não comprometam o meio ambiente e a saúde de seus ocupantes e que contribuam para tornar seu estilo de vida cotidiano mais sustentável (por exemplo, o usuário de embalagens descartáveis deveria usar produtos reciclados a partir dos materiais que, em algum momento, ele mesmo usou);
c) resolver ou atenuar os problemas e necessidades gerados pela sua implantação (consumo de água e energia);
d) promover saúde e bem-estar aos seus ocupantes e moradores e preservar ou melhorar o meio ambiente.
Reportagem na integra disponível em: http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp367.asp,

Acredito que esses novos conceitos deveriam receber uma maior atenção e apoio por parte do Governo para que a indústria civil possa se desenvolver, já que atualmente quem detem o poder da construção, ou seja, as empresas imobiliárias, nada farão para que isso ocorra, pois o cenário é muito favorável aos seus anseios de obtenção de lucro rápido.
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